Minha Fama de Mau é a autobiografia de Erasmo Carlos, publicada pela Editora Objetiva em outubro de 2009. Em 360 páginas, o cantor e compositor reconstrói a própria trajetória desde a infância na Tijuca, no Rio de Janeiro, até a consagração como um dos nomes centrais do rock brasileiro. O título retoma a canção que ele lançou em 1964 e resume a imagem de roqueiro rebelde que a imprensa e o público colaram nele — fama que o livro ajuda a desmontar com humor e memória.
O que o livro conta
A narrativa começa na Tijuca dos anos 1940 e 1950, com a mãe baiana criando o filho sozinha, os pequenos trabalhos da infância e a descoberta do rock and roll. Daí em diante, o leitor acompanha a formação dos primeiros grupos, a amizade com Tim Maia, o encontro com Roberto Carlos, a passagem pelo Renato e Seus Blue Caps e a criação do programa Jovem Guarda, na TV Record.
Erasmo também detalha a rotina de composição com Roberto Carlos, a entrada na RGE, os bastidores dos estúdios e a virada artística dos anos 1970, quando deixou a imagem de ídolo juvenil para trás. A escrita mistura memória afetiva e crônica do mercado musical brasileiro, com passagens sobre a censura, a imprensa e a relação do artista com a própria fama.
Por que a obra importa
A obra cobre o período com riqueza de detalhes: as histórias por trás de canções como "Minha Fama de Mau", "Gatinha Manhosa" e "Sentado à Beira do Caminho" ganham cenário, personagens e data. O livro é usado como fonte por pesquisadores da música brasileira e por leitores que querem entender como nasceu o rock nacional, o que separava o iê-iê-iê da bossa nova e como funcionava a indústria fonográfica antes da internet.
Para quem chega agora à obra de Erasmo Carlos, o livro funciona como porta de entrada para o repertório, do iê-iê-iê dos anos 1960 ao rock de maturidade dos anos 2010.
Do livro ao filme
Em 2019, a autobiografia foi adaptada para o cinema em filme homônimo dirigido por Lui Farias e distribuído pela Downtown Filmes. Chay Suede interpreta Erasmo Carlos, Gabriel Leone vive Roberto Carlos e Malu Rodrigues dá vida a Wanderléa. A produção levou às telas a Tijuca dos anos 1960 e a formação do trio que dominou a televisão brasileira.
Quem quiser conhecer a obra completa do artista pode começar pelo livro e seguir para os álbuns, disponíveis em plataformas de streaming e em edições físicas. A edição impressa segue circulando em sebos e livrarias, com o texto integral de 360 páginas.




