Minhas janelas é a porta mais nova para Paulo Mendes Campos. Lançada pela Companhia das Letras em 24 de junho de 2025, a seleta de 312 páginas foi organizada e introduzida por Flávio Pinheiro, o mesmo jornalista que reordenou a obra do cronista no fim dos anos 1990. O título avisa o método: o livro não pretende fechar a casa. Abre janelas.
Os textos vêm de quatro volumes temáticos — Cisne de feltro, Alhos & bugalhos, Artigo indefinido e O gol é necessário. Misturam ensaio pessoal, memórias da infância em Minas, o cotidiano no Rio e reflexões sobre a vida e o ofício da escrita. Quem já leu o recorte lírico de O amor acaba encontra aqui outro Paulo: o menino, o torcedor, o humorista, o leitor que anota cadernos como aluno aplicado.
O que esta seleta mostra
Flávio Pinheiro escreve na introdução que Paulo “foi personagem de si mesmo, mas sempre se entregou à linguagem e às palavras, suas ferramentas para desvendar o mundo.” A frase descreve o livro. Há infância mineira, fuga de casa aos 11 anos, o Rio da Zona Sul, o futebol, o copo e a mesa de trabalho. Há também o cronista que pensa o próprio gênero sem virar metatexto vazio: a crônica como encomenda, como duas laudas, como modo de ganhar a vida sem largar a literatura.
Ao lado de Rubem Braga, Fernando Sabino, Sérgio Porto, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, Paulo Mendes Campos foi uma das vozes da era em que a crônica brasileira ocupou o centro da imprensa. Esta seleta não explica essa história em aula. Mostra o resultado: uma prosa contaminada por poesia, capaz de ir da anedota à reflexão sem mudar de cadeira.
Para quem começar por aqui
Para quem nunca leu o autor e quer um panorama, não um único tom. Para quem já tem O amor acaba e busca memórias, humor e esporte. Para quem ensina crônica em sala e precisa de um volume recente, em edição corrente, com introdução que situa o autor. Não substitui a poesia reunida nem o recorte de perfis de O mais estranho dos países. Complementa.
- Edição da Companhia das Letras, 24 de junho de 2025, 312 páginas.
- Organização e introdução de Flávio Pinheiro.
- Textos extraídos de Cisne de feltro, Alhos & bugalhos, Artigo indefinido e O gol é necessário.
- Boa porta de entrada para quem quer variedade de tom num só volume.
Como usar o livro
Dá para ler em sequência ou por humor do dia. As memórias de Minas conversam com a infância real do autor — o internato, São João del-Rei, Otto no basquete — sem virar autobiografia contínua. As crônicas de futebol lembram o torcedor do Botafogo e o fundador do Trinta por Trinta. As páginas sobre escrita mostram o profissional da Remington, não o mito do inspirado.
Pinheiro já havia dividido a obra por temas na Civilização Brasileira. Minhas janelas não repete aquele projeto editorial inteiro: escolhe, corta e apresenta de novo, com o leitor de 2025 em vista. Quem quiser aprofundar um único tom volta a O amor acaba. Quem quiser o verso abre Poesia. Quem quiser o país e os amigos segue para O mais estranho dos países.
Perguntas frequentes
Minhas janelas traz a crônica O amor acaba?
Não é esse o recorte. A seleta parte de outros volumes temáticos. A crônica-título mais famosa está no livro O amor acaba.
É um livro inédito de Paulo Mendes Campos?
Os textos já haviam saído em livro. O que é novo é a seleção, a introdução e o volume reunido em 2025, pensado como porta de entrada contemporânea.




