O antipássaro chegou às livrarias em 2018, quatro anos depois da morte de Donizete Galvão, com 31 poemas que o autor deixara em arquivo. O livro integra a coleção "cabeça de poeta", da Martelo Casa Editorial, e é a última obra inédita do poeta a ganhar edição independente.
A organização é de Paulo Ferraz e Tarso de Melo, com posfácio do crítico Antonio Carlos Secchin e ilustrações e capa de Hallina Beltrão. Os poemas foram escritos entre 2002 e 2014, período em que Galvão publicou Mundo mudo e O homem inacabado, e mostram a continuidade de uma investigação sobre o corpo, o tempo e a cidade.
O que significa o título
A imagem do antipássaro inverte a promessa de voo: em vez de altura, aponta para baixo, para o chão. A crítica leu o livro como um passo adiante na tradição da poesia urbana brasileira, a mesma que trata a cidade como uma segunda natureza, em diálogo com a herança de Charles Baudelaire e com o antipássaro de Orides Fontela. Em textos publicados depois do lançamento, o volume foi aproximado também da poesia de Simone Brantes, num debate sobre a animalidade e o lugar do poeta no mundo contemporâneo.
Os poemas e os temas
O livro reúne séries que ficaram conhecidas entre os leitores do autor, como a "Flora urbana", em que objetos da cidade, de cones a guindastes, são descritos como espécies de um ecossistema próprio. A embriaguez, os bares, a madrugada e o recolhimento aparecem como formas de atravessar a metrópole. Nos poemas finais, o tom se volta para a escuridão e para a brevidade, sem abandonar a precisão da linguagem.
Por que este livro importa
Para quem já conhece a obra do poeta, O antipássaro fecha o percurso com os poemas mais tardios. Para quem chega agora, é um livro curto, de 68 páginas, e autônomo, com uma voz madura e uma imaginação visual forte. A edição ilustrada faz dele também um objeto de coleção, com projeto gráfico que dialoga com os poemas.





