O sapo apaixonado é o primeiro dos três livros infantis de Donizete Galvão e nasceu de um encontro entre duas tradições: um conto popular que o poeta ouvira na infância, em Minas Gerais, e um relato do povo indígena Gavião-Ikolen, de Rondônia, recolhido por Betty Mindlin e Sebirop Catarino sob o nome "O sapo Tsüb".
A história parte de uma ideia simples e espantosa: um sapo que gruda na mão de um menino e só se solta em determinada época do ano. No conto popular mineiro, a libertação depende de uma trovoada; na narrativa indígena, de uma estação. Do encontro entre as duas versões, Galvão criou uma fantasia própria, com texto curto e ritmo de poesia, ilustrada por Mariana Massarani.
Por que um poeta escreveu para crianças
O próprio autor contou que a vocação literária começou na escola, quando descobriu o poema "Infância", de Carlos Drummond de Andrade, com o estímulo de uma professora. Décadas depois, ao escrever para crianças, ele retomou esse fio: textos curtos, sonoros, apoiados na tradição oral e na mitologia brasileira. O livro integra a lista de obras infantis do autor ao lado de Mania de bicho (2010) e Escoiceados (2014).
Uma história sobre vínculo e liberdade
Mais do que adaptar uma lenda, o livro constrói uma história nova sobre vínculo e liberdade: o sapo que adere ao corpo humano é uma imagem de apego, e o momento da separação, uma passagem. A edição atual, em sua quarta edição pela Editora Musa, mantém as ilustrações de Massarani e o formato compacto, com 32 páginas, pensado para leitura compartilhada entre adultos e crianças.
Para quem é este livro
É indicado para leitores iniciantes, em fase de alfabetização, e para famílias que procuram histórias ligadas à cultura brasileira. Professores encontram nele um material para trabalhar tradição oral, povos indígenas e o encontro entre diferentes versões de uma mesma história, sempre lembrando que, como escreveu Betty Mindlin na quarta capa, o livro de Galvão é uma criação própria, e não uma narrativa indígena.





