Contexto e proposta de O clube dos jardineiros de fumaça
O clube dos jardineiros de fumaça levou Carol Bensimon a um cenário que ela conhecia de perto: a região da Califórnia conhecida como Triângulo da Esmeralda, onde se concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos. O romance foi escrito durante e depois de uma temporada da autora no condado de Mendocino, e o resultado mistura ficção e história recente da contracultura americana.
O protagonista é Arthur, um jovem professor brasileiro que deixa Porto Alegre depois de acontecimentos que o obrigam a recomeçar. Na nova cidade, ele se insere aos poucos na dinâmica local — feita de plantações escondidas entre coníferas milenares, estradas sinuosas e falésias — e passa a fazer parte de uma história que começa décadas antes, com a geração que foi para o mato em busca de outro modo de vida. O livro se passa meses antes da votação que legalizou o uso recreativo da cannabis no estado, o que dá à trama o peso de uma virada histórica prestes a acontecer.
Atravessado por conflitos geracionais, o romance reflete sobre a guerra às drogas, sobre a busca por estilos de vida alternativos e sobre o modo como elementos nascidos na contracultura acabam incorporados pelo mercado. A paisagem não é fundo: o clima, o isolamento e a economia informal da região moldam as escolhas dos personagens.
A obra venceu o Prêmio Jabuti de 2018 na categoria Romance e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano. Quem lê Diorama ou Todos nós adorávamos caubóis reconhece aqui a mesma preocupação com personagens deslocados, agora diante de um país em transformação. É o título mais premiado da autora e uma das melhores portas de entrada para a fase madura da obra dela.





