Contexto e proposta de Todos nós adorávamos caubóis
Todos nós adorávamos caubóis acompanha Cora e Julia, duas amigas que não se falam há anos. A relação intensa que viveram na faculdade terminou de um jeito estranho, quando Julia partiu de repente para Montreal, e Cora, pouco depois, foi cursar moda em Paris. Numa noite de inverno, as duas retomam contato e combinam se reencontrar na terra natal, no extremo sul do Brasil, para realizar uma viagem de carro que vinha sendo planejada havia muito tempo.
O roteiro atravessa as colônias italianas da serra gaúcha, a paisagem desolada do pampa e uma cidade-fantasma no coração do Rio Grande do Sul. No convívio dentro do carro e nas paradas, o passado comum volta à superfície: o que aconteceu entre as duas, o que cada uma escolheu esquecer e o que ainda não conseguiu dizer. A autora usa o molde clássico da narrativa de estrada, mas desvia das soluções fáceis do gênero — a viagem avança e, ao mesmo tempo, as duas parecem girar em torno de um ponto que não se resolve.
O livro saiu pela Companhia das Letras em 2013 e se tornou um dos títulos mais traduzidos de Carol Bensimon. Nos Estados Unidos, foi publicado como We All Loved Cowboys, pela Transit Books; na França, como On adorait les cowboys, pela Belfond, com tradução de Dominique Nédellec; e, na Espanha, como Todos adorábamos a los cowboys, pela Continta Me Tienes. A temática queer e a atenção ao desejo feminino aparecem de forma direta na trama, sem que o romance se reduza a tese.
É uma boa escolha para quem quer começar pela narrativa mais acessível da autora e para quem se interessa por histórias de amizade, estrada e reencontros. A paisagem do Sul, que em Sinuca embaixo d'água aparece no entorno de um bar à beira do lago, aqui ganha quilômetros de asfalto e interior.





