A pergunta sobre quem é Carol Bensimon costuma nascer de um livro específico: Sinuca embaixo d'água, Todos nós adorávamos caubóis, O Clube dos Jardineiros de Fumaça ou Diorama. Escritora e tradutora nascida em Porto Alegre, ela construiu uma obra em que personagens jovens atravessam paisagens — o pampa gaúcho, as colinas do norte da Califórnia, estradas de interior — enquanto lidam com luto, desejo e o peso de escolhas que não se desfazem. Desde 2018, vive em Mendocino, pequena cidade da costa da Califórnia.
Quem é Carol Bensimon
Carolina Bensimon Cabral nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 22 de agosto de 1982. Romancista, contista e tradutora, estreou na ficção em 2008 e desde então publicou seis livros, entre romances, novelas e crônicas. A formação passa pela comunicação social, curso concluído na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2005, pelo mestrado em escrita criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), defendido em 2008 com a dissertação A Personagem Ausente na Narrativa Literária, e por um período de doutorado em literatura comparada na Université Sorbonne Nouvelle, em Paris, entre 2008 e 2010.
A relação com a escrita vem de antes da publicação: contos, crônicas e ensaios dela apareceram em revistas como Piauí, Galileu, Superinteressante e Bravo!, e em jornais como Zero Hora, Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Foi essa rotina de colaborações que sustentou a passagem para a literatura em tempo integral, decidida depois que o primeiro livro saiu.
Da estreia em três novelas ao primeiro romance
O livro de estreia, Pó de parede, saiu em 2008 pela Não Editora e reúne três novelas independentes, todas com personagens às voltas com a chegada da vida adulta: pré-adolescentes diante de uma descoberta que muda a rotina, duas irmãs que veem a cidade pequena ganhar uma construção enorme e uma jovem que decide trabalhar em um hotel para viver a privação que imaginava ser necessária a quem escreve. Houve edição argentina, Polvo de pared, pela Dakota Editora.
No ano seguinte, com apoio da Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária, veio Sinuca embaixo d'água, publicado pela Companhia das Letras. O romance parte de uma ausência — a morte de Antônia, uma jovem na casa dos vinte anos, em um acidente de carro — e se constrói com sete narradores que contam o próprio luto, boa parte dele no bar do Polaco, estabelecimento à beira de um lago cujo salão de sinuca fica parcialmente submerso. O livro foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Autor Estreante, e do Prêmio Jabuti de 2010, em Romance.
Granta, Jabuti e a consolidação da carreira
Em 2012, Carol Bensimon foi selecionada pela revista britânica Granta como um dos 20 melhores jovens escritores brasileiros, lista que apontava os nomes que deveriam construir o mapa da literatura do país na década seguinte — ao lado de autores como Daniel Galera. No ano seguinte veio Todos nós adorávamos caubóis, romance de estrada em que duas amigas, Cora e Julia, refazem uma viagem de carro pelo interior do Rio Grande do Sul e, no caminho, reencontram um passado comum que nunca foi resolvido.
Depois da primeira incursão na não ficção — Uma estranha na cidade, reunião de crônicas e ensaios publicada pela Dublinense em 2016 —, a autora lançou O Clube dos Jardineiros de Fumaça, romance escrito durante e após uma temporada no condado de Mendocino. Ambientado no Triângulo da Esmeralda, região californiana que concentra a maior produção de cannabis dos Estados Unidos, o livro acompanha o professor brasileiro Arthur e atravessa o legado da geração hippie, a guerra às drogas e a incorporação da contracultura pelo mercado. A obra venceu o Prêmio Jabuti de 2018 na categoria Romance e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano.
Temas e estilo: juventude, deslocamento e paisagem
Há um fio reconhecível nos livros de Carol Bensimon: personagens em trânsito, quase sempre jovens, que precisam lidar com a distância entre o que sentem e o que conseguem nomear. A paisagem não é cenário decorativo — ela participa da história, seja o pampa cortado por estradas, a serra das colônias italianas ou as florestas de coníferas do norte da Califórnia.
A crítica costuma aproximar a prosa dela da narrativa de estrada e da literatura de formação, mas o uso desses moldes é sempre torto: a viagem não cura, o amadurecimento não chega na hora certa e as relações ficam em zonas cinzentas. Nos livros mais recentes, entram com força temas como memória, violência e preconceito, sem que o texto perca a atenção ao detalhe concreto e ao humor discreto.
Uma lista rápida de marcos
- 2008 — Pó de parede, estreia em três novelas pela Não Editora;
- 2009 — Sinuca embaixo d'água, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Jabuti de 2010;
- 2012 — selecionada entre os 20 melhores jovens escritores brasileiros pela revista Granta;
- 2013 — Todos nós adorávamos caubóis, romance de estrada publicado pela Companhia das Letras;
- 2016 — Uma estranha na cidade, primeiro livro de crônicas e ensaios, pela Dublinense;
- 2017 — O Clube dos Jardineiros de Fumaça, vencedor do Jabuti de Romance em 2018;
- 2022 — Diorama, romance citado em listas de melhores do ano da imprensa brasileira.
Os livros dela fora do Brasil
A obra de Carol Bensimon circula em outros idiomas desde a primeira década de publicação. Todos nós adorávamos caubóis saiu nos Estados Unidos como We All Loved Cowboys, pela Transit Books, e na França como On adorait les cowboys, pela editora Belfond, com tradução de Dominique Nédellec. Na Espanha, a Continta Me Tienes publicou Todos adorábamos a los cowboys e Un billar bajo el agua, versão de Sinuca embaixo d'água. Diorama ganhou edição francesa em 2025, como Au pays du dieu animal. Há também traduções publicadas na Itália e na Argentina.
Mendocino, a newsletter nevoeiro e o curso de escrita
Desde 2018, Carol Bensimon mora em Mendocino, no norte da Califórnia, onde passou a observar de perto o cenário que renderia O Clube dos Jardineiros de Fumaça. Da rotina na região nasceu também a newsletter nevoeiro, publicada no Substack, em que ela escreve sobre literatura, natureza e vida longe das grandes cidades. Desde 2019, ministra um curso online de escrita de romance, voltado a quem quer estruturar um projeto de ficção longa.
Quem acompanha o trabalho dela pode ainda encontrar textos e conversas no site oficial, no canal do YouTube e nos perfis em redes sociais, onde a autora comenta leituras, processos de escrita e a paisagem em que vive.
Perguntas rápidas sobre Carol Bensimon
Carol Bensimon é brasileira?
Sim. Ela nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1982, e mantém vínculos profissionais com o Brasil mesmo morando nos Estados Unidos.
Por qual livro começar a ler?
Sinuca embaixo d'água apresenta o romance coral que ficou característico na obra dela. Quem prefere uma narrativa mais direta de viagem e amizade pode começar por Todos nós adorávamos caubóis; quem se interessa pela fase mais recente encontra em Diorama a mistura de formação e investigação.
Ela ganhou o Prêmio Jabuti?
Sim, em 2018, na categoria Romance, por O Clube dos Jardineiros de Fumaça. O mesmo livro foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.
Carol Bensimon dá curso de escrita?
Desde 2019, ela mantém um curso online sobre escrita de romance, além de escrever sobre o tema em textos públicos e na newsletter nevoeiro.
Para quem quer seguir navegando, vale acompanhar a literatura brasileira contemporânea e as obras de outros autores do mesmo recorte.






