Contexto e proposta de Sinuca embaixo d'água
Sinuca embaixo d'água é o primeiro romance de Carol Bensimon, publicado pela Companhia das Letras em 2009. O livro parte de uma ausência: Antônia, uma jovem na casa dos vinte anos, morreu em um acidente de automóvel, e são sete personagens que narram o que ficou. Entre eles estão Camilo, o irmão que desmonta e remonta carros antigos, e Bernardo, colega de faculdade, tímido, que convive com a lembrança de uma relação nunca definida.
Boa parte da história transcorre no bar do Polaco, à beira de um lago. Nos fundos do estabelecimento funciona um salão de sinuca cuja metade fica dentro da água — imagem que dá título ao livro e que serve de metáfora para a imobilidade provocada pelo luto. A morte de Antônia reorganiza as relações ao redor, e cada narrador oferece uma versão parcial do que aconteceu, sem que nenhuma feche o sentido do todo.
O romance foi escrito com o apoio de uma Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária, recebida pela autora depois da estreia em Pó de parede (2008). Com ele, a escrita de Carol Bensimon passou a circular fora do Rio Grande do Sul: Sinuca embaixo d'água ficou entre os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Autor Estreante, e do Prêmio Jabuti de 2010, em Romance. Mais tarde, ganhou edição em espanhol, Un billar bajo el agua, pela Continta Me Tienes.
Quem chega agora à obra dela encontra nesse livro as marcas que reaparecem nas publicações seguintes: personagens jovens, paisagem do Sul, linguagem simples presa ao repertório de quem narra e confiança nas lacunas. A trama não busca culpados nem conclusões redondas — organiza pontos de vista e deixa o leitor montar o restante. Para leitores de ficção brasileira, é uma porta de entrada para o conjunto da obra e para os títulos que vieram depois, de Todos nós adorávamos caubóis a Diorama.





