O Livro dos Milagres parte de uma pergunta desconfortável para qualquer debate entre fé e razão: o que a pesquisa científica já sabe sobre os fenômenos que religiões descrevem como milagres? Em vez de responder com opinião, Carlos Orsi percorre os principais relatos espantosos da tradição religiosa e mostra o que historiadores, arqueólogos, linguistas e médicos descobriram sobre cada um deles.
A obra nasceu em 2011 e ganhou nova vida em 2021, quando a Editora Unesp publicou a segunda edição, revista e ampliada, com 16 capítulos. O livro trata de possessão demoníaca, relíquias de sangue, ressurreição, glossolalia — o "falar em línguas" — e do poder da oração, entre outros temas. O autor recua até episódios bíblicos conhecidos, como a travessia do Mar Vermelho, as pragas do Egito e o Sol que teria parado no céu para Josué, e explica por que essas narrativas não se sustentam quando confrontadas com registros históricos e evidências materiais.
Para quem é este livro
A proposta não é atacar a fé de ninguém, e o próprio autor faz questão de separar as duas coisas: expor fatos não destrói uma crença que se sustenta em outros termos. O alvo do livro é a confusão entre metáfora e história, entre devoção e dado concreto. Por isso a leitura interessa tanto a céticos quanto a religiosos curiosos, professores que lidam com o tema em sala de aula e jornalistas que cobrem religião e ciência.
A edição da Unesp facilita o acesso do público geral às conclusões de estudos científicos de áreas diversas, com fontes citadas e contexto histórico para cada episódio. É um livro de divulgação científica clássico na bibliografia brasileira sobre ceticismo, ao lado de obras como Pura Picaretagem e O Livro da Astrologia, do mesmo autor.
Por que o tema continua atual
Milagres e curas extraordinárias seguem no centro de disputas públicas, de promessas de saúde a alegações de fenômenos sobrenaturais compartilhadas em redes sociais. Entender como esses relatos circulam, quais evidências existem e como a ciência trabalha com o que não pode explicar é uma habilidade prática. O livro oferece justamente esse repertório, com linguagem direta e sem tom panfletário, tornando-se uma referência para quem quer discutir o assunto com argumentos sólidos.





