Contexto e proposta de O Peixe de Amarna
O Peixe de Amarna, publicado pela Record em 2003, é o romance em que Cícero Sandroni leva para a ficção o interesse por História que marcou toda a sua obra. A narrativa começa quando Juca, narrador e protagonista, aceita um emprego como motorista — trabalho bem-remunerado e aparentemente simples — e acaba entrando em uma rota de suspense e viagens que o leva ao coração da civilização egípcia, há cerca de três mil e quinhentos anos.
O fio condutor é a história do faraó Aquenaton, casado com Nefertite e fundador da cidade de Aquenaton, a atual Amarna. Mais de mil anos antes de Cristo, segundo a narrativa, o faraó teria deixado sua mensagem numa garrafa para que os que viessem depois dele sentissem a força do seu testemunho. Pacifista e poeta, Aquenaton tentou implantar no Egito politeísta o culto monoteísta a Aton, o deus Sol, e por isso ficou conhecido como um faraó rebelde.
Aventura, espionagem e História
O que sustenta o romance é a mistura de gêneros. No caminho de Juca aparecem o criminoso Taras Bulba e o ambicioso Kartoff, e a trama combina mistério, espionagem, crime e reconstrução histórica. Sandroni aproveita a formação de jornalista para dar ritmo à narrativa e usa a figura de Aquenaton para discutir ideias grandes — religião, poder e tolerância — sem abandonar a aventura.
Para quem é o livro
O próprio autor descreveu a obra como um romance capaz de agradar jovens e adultos interessados em grandes aventuras. Leitores que gostam de ficção histórica encontram aqui um Egito reconstruído com liberdade narrativa; leitores que buscam o Sandroni cronista e biógrafo descobrem um ficcionista disposto a experimentar. É também um bom ponto de partida para quem quer conhecer a produção literária do autor para além dos contos e das crônicas.
História e imaginação
Aquenaton é um dos personagens mais estudados e controversos do Egito antigo, sobretudo pela tentativa de impor o culto a Aton, o deus Sol. Sandroni não escreve um livro de História: ele se apropria desse material para construir suspense e aventura, misturando personagens reais e fictícios. O leitor interessado no Egito encontra um panorama acessível da época; quem busca apenas uma boa história de mistério encontra a trama de Juca, Taras Bulba e Kartoff.
Um autor que sempre dialogou com a História
Antes e depois deste romance, Sandroni escreveu livros de fundo histórico, como o ensaio O vidro no Brasil e as histórias dos jornais O Dia e Jornal do Commercio. O Peixe de Amarna leva esse interesse para a ficção e mostra que o autor não separava o prazer de narrar da pesquisa. É um romance que pode ser lido como entretenimento e relido como uma aula de História contada por quem sabe prender a atenção do leitor.
O Peixe de Amarna segue em catálogo e é um dos títulos mais procurados de Cícero Sandroni por leitores de ficção brasileira.





