O último ancestral é o romance que consolidou Ale Santos como nome de afrofuturismo brasileiro em livraria grande. Publicado pela HarperCollins, finalista do Jabuti 2022 na categoria romance de entretenimento e do CCXP Awards, o livro pega o Brasil e o empurra para um futuro em que elite tecnológica, favela e magia ancestral ocupam o mesmo mapa — e brigam por ele.
A história se passa na periferia do Distrito de Nagast. Obambo é a favela para onde quase toda a população negra foi exilada quando os Cygens, híbridos de homens e máquinas, tomaram o poder, baniram o culto aos deuses e criminalizaram a magia. Lá vive Eliah, jovem que sobrevive no esquema de roubo de carros para sustentar a irmã Hanna, autodidata em linguagens eletrônicas. A virada chega quando ele descobre carregar o espírito do Último Ancestral, entidade capaz de salvar os obambos.
O que a distopia realmente discute
O enredo tem perseguição, poder ancestral e aliança improvável. O que segura a leitura é o paralelo com o Brasil de agora: segregação, racismo estrutural, terreiro sob ataque, favela como território de invenção. Carnaval, fé afro-brasileira e gíria de periferia não entram como cor local. Entram como sistema. Hanna, hacker quase orgânica, e Zero, com dilema moral pesado, completam o núcleo que os leitores mais citam nas avaliações.
Ale Santos já dizia, em entrevistas, que quer reconstruir o imaginário social brasileiro. O último ancestral é o teste mais visível dessa frase. Em vez de importar o molde de cyberpunk norte-americano e pintar de verde-amarelo, o romance parte de morro, santo e tecnologia como conflito interno do país.
- Romance de afrofuturismo e fantasia urbana em português
- Finalista do Jabuti 2022 e do CCXP Awards
- Universo próprio: Nagast, Obambo, Cygens, magia ancestral
- Capa de Rafael Albuquerque na edição de livraria
- Ponto de entrada para quem quer ficção, não ensaio histórico
Para quem este romance funciona
O último ancestral interessa a leitores de ficção científica, distopia, literatura negra contemporânea e quem busca um Brasil inventado que ainda reconheça a rua. Também atrai quem viu o autor nos fios de história e quer saber se a mesma voz aguenta um romance longo. Aguenta. As avaliações na Amazon passam de 680 e se concentram no universo, nos personagens secundários e no ritmo de aventura.
Não é livro infantil. Não é manual de afrofuturismo. É ficção com tese: o futuro brasileiro não cabe num copiar e colar de Hollywood. Quem prefere ensaio deve ir a Rastros de resistência. Quem quer continuar no mesmo mundo com recorte jovem segue para A malta indomável.
Edição, formatos e o que veio depois
A edição em circulação pela HarperCollins está em capa comum, cerca de 352 páginas, com e-book e, em alguns canais, capa dura. A data de publicação da edição corrente na Amazon é 31 de março de 2023. Houve anúncio de adaptação para RPG de mesa e de uma série com a RT Features; o que o leitor encontra agora é o romance impresso e digital.
Para quem monta a estante do autor, O último ancestral é o centro. Rastros de resistência explica de onde veio o método. A malta indomável alarga o mapa para outro trio, outra idade, a mesma cidade-complexo. A compra do item exato na Amazon leva à edição HarperCollins em português.



