Rastros de resistência nasceu de fios no Twitter e virou o primeiro livro de Ale Santos a ocupar livraria, prêmio e clube de leitura da ONU. Não é romance. É um volume de histórias de luta e liberdade do povo negro, reconstruídas para devolver a figuras apagadas o lugar de protagonistas — não de nota de rodapé.
A primeira edição saiu em 2019 pela Panda Books, com prefácio de Emicida. Em 2020 chegou à final do Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas e integrou o Clube de Leitura dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, no eixo de redução das desigualdades. Em junho de 2025 a HarperCollins relançou a obra em edição revista e ampliada, com histórias inéditas de João Cândido, o Almirante Negro da Revolta da Chibata, e de Benjamim de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil.
O que o livro faz de diferente
Ale Santos não organiza um manual escolar. Ele reconta trajetórias concretas. Nanny, rainha axânti que libertou escravizados na Jamaica. Chico da Matilde, o Dragão do Mar, jangadeiro cearense que se recusou a transportar pessoas escravizadas rumo ao Sul. Rainhas, guerreiros, reinos africanos e lideranças brasileiras cuja memória o colonialismo tentou silenciar. São mais de vinte histórias. O tom é de reportagem narrativa, não de hagiografia vazia.
Quem chegou ao autor pelo afrofuturismo encontra aqui o chão histórico que depois alimenta a ficção. Sem essas trajetórias, o futuro inventado em Obambo perderia âncora. Com elas, o leitor vê de onde vem a teimosia de tratar ancestralidade como tecnologia de sobrevivência.
- Mais de vinte trajetórias de resistência negra, da África ao Brasil
- Edição HarperCollins de 2025, revista e ampliada, com capítulos inéditos
- Prefácio de Emicida na origem do projeto
- Finalista do Jabuti 2020 em Ciências Humanas
- Indicada ao leitor que busca história, não só ficção científica
Para quem faz sentido
Rastros de resistência serve a quem quer um livro de história negra acessível, sem academicismo pesado e sem folclore de capa. Professores, clubes de leitura, leitores de literatura contemporânea e quem descobriu Ale Santos pelo romance distópico encontram aqui a base factual do projeto. Também é o título certo para quem busca presente com peso político e circulação já comprovada em livraria.
Não substitui um tratado de historiografia. Não promete esgotar o Atlântico Negro. Entrega recortes de personagens com nome, lugar e conflito — o tipo de leitura que faz o leitor sair procurando o próximo nome que a escola não ensinou.
Contexto de leitura e compra
A edição em circulação nas livrarias e na Amazon é a revista e ampliada da HarperCollins, em português, capa comum, 224 páginas. Há e-book. A edição original da Panda Books, de 2019, continua no histórico da obra, mas quem compra hoje encontra o texto atualizado. Vale começar por este volume se a dúvida for “por onde entrar no autor”: ele mostra o método antes da distopia.
Depois de Rastros de resistência, o passo natural na ficção é O último ancestral. Quem quiser ficar no território da história e da memória pode reler os fios antigos no X, mas o livro organiza o que a timeline espalhou. Para consultar a edição em circulação, use a página da obra na Amazon.



