Contexto e proposta de O último copo: álcool, filosofia, literatura
O último copo parte de uma constatação simples: a bebida atravessa a filosofia e a literatura há séculos, e poucos autores trataram essa proximidade como tema. Daniel Lins examina escritores e pensadores que escreveram sob o efeito do álcool ou fizeram dele matéria de reflexão, costurando ensaio, crítica literária e memória.
Publicado pela Civilização Brasileira em 2013, o livro não é um manual sobre bebida nem um tratado moral. A proposta é literária e filosófica: entender como a embriaguez aparece na construção de mundos ficcionais e no pensamento ocidental, e o que ela revela sobre a relação entre razão, excesso e criatividade.
Quem procura um ensaio sobre literatura, filosofia e comportamento encontra aqui um percurso por autores, obras e escritas embriagadas — expressão usada na apresentação do livro. É uma obra de maturidade, escrita depois de décadas de trabalho acadêmico, e funciona como porta de entrada para leitores que ainda não conhecem a produção de Daniel Lins.
O título pode ser lido em paralelo com os estudos do autor sobre o corpo e sobre Antonin Artaud, nos quais o excesso e os limites da experiência aparecem como problema filosófico. Para quem se interessa por ensaísmo brasileiro contemporâneo, é uma das obras mais acessíveis de sua bibliografia, com leitura que não exige formação técnica em filosofia.





