Imagem de capa do perfil de Daniel Lins
Foto de perfil de Daniel Lins

Daniel Lins

Nascimento: 1943 Fortaleza, CE
Ver projetos (5)
Filósofo, sociólogo e psicanalista brasileiro, professor da UFC e autor de cerca de 25 livros sobre Artaud, Deleuze, Nietzsche e o imaginário do cangaço.

Daniel Lins fez do cangaço um problema filosófico. Nascido em Canhotinho, no interior de Pernambuco, em 1943, ele levou a figura de Lampião para o doutorado na Universidade Paris VII e transformou o estudo em um livro publicado na França pela editora Seuil, La passion selon Lampião, le roi des cangaceiros (1995) — uma das raras leituras brasileiras do cangaço com circulação internacional. Dessa base, construiu uma obra que atravessa sociologia, filosofia e psicanálise, sempre com o corpo, a violência e o desejo no centro das perguntas.

Formação na França e o doutorado sobre Lampião

Daniel Lins iniciou a formação universitária em Paris, onde cursou Sociologia (1972-1976) e Filosofia (1980-1984) na Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis. Fez mestrado em Sociologia na Université Paris X Nanterre e doutorou-se em Sociologia pela Université Paris VII Denis Diderot, com a tese Imaginário da ordem e da violência: estudo de um caso: Lampião e o cangaço, orientada por Vincent de Gaulejac. Em 2003, concluiu pós-doutorado em Filosofia na Université Paris 8, sob orientação de Jacques Rancière.

A formação francesa ajuda a explicar o método que ele repete em boa parte dos livros: partir de um caso concreto — um cangaceiro, um poeta, um filósofo — para chegar a conceitos amplos. Foi professor visitante em instituições como a University of California, Berkeley (1995), a Université Paris X Nanterre, a Sorbonne (Paris III), a Universidade de Coimbra (2009), a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, além de conferências em universidades brasileiras e estrangeiras.

O que Daniel Lins ensina e investiga

Professor associado de Filosofia no Departamento de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Lins trabalha com filosofia contemporânea, subjetividade e educação. Coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas da Subjetividade (LEPS/UFC) e integra o Conselho de Educação do Ceará. Também coordenou o grupo de trabalho de Filosofia Contemporânea da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF).

Corpo, crueldade e escrita rizomática

Um dos eixos mais consistentes de sua obra é a leitura de Antonin Artaud. O livro Antonin Artaud: o artesão do corpo sem órgãos, publicado em 1999 e reeditado em 2011, acompanha a escrita do poeta e dramaturgo francês a partir das noções de corpo sem órgãos e de crueldade — não como violência gratuita, mas como experiência-limite que coloca pensamento e corpo à prova. O tema reaparece em Expressão Deleuze em Espinosa / Espinosa em Deleuze e nos volumes coletivos sobre arte e resistência.

A ideia de escrita rizomática, tomada de Gilles Deleuze e Félix Guattari, atravessa Fazendo Rizoma (2008), organizado com Beatriz Furtado, e vários artigos sobre leitura, educação e criação. Neles, o autor defende um pensamento que se conecta por multiplicidades, sem raiz única — formulação que também descreve seu próprio percurso entre áreas.

Nietzsche e Deleuze: um simpósio que virou coleção

Daniel Lins coordena o Simpósio Internacional de Filosofia Nietzsche e Deleuze, realizado em Fortaleza desde o fim dos anos 1990. O encontro deu origem a uma série de livros coletivos: Nietzsche e Deleuze: pensamento nômade (2001), Intensidade e paixão (2000), Que pode o corpo (2002), Bárbaros, civilizados (2004), organizado com Peter Pál Pelbart, Arte e resistência (2004), Imagem, literatura, educação (2007) e Jogo e música (2008), com José Gil. Os volumes reúnem estudiosos brasileiros e estrangeiros e ajudaram a consolidar a presença de Deleuze no debate acadêmico do país.

Cangaço, imaginário e violência

O cangaço permanece como tema de fundo. Lampião, o homem que amava as mulheres, publicado pela Annablume, é a versão brasileira do estudo iniciado no doutorado: em vez de repetir a imagem do bandido sanguinário, o livro examina o lugar das mulheres no bando e a sensibilidade de um homem que fez do corpo uma festa, como resume a apresentação da edição. O mesmo interesse pela construção de figuras públicas aparece em Ayrton Senna: a imolação de um deus vivo (1995), sobre a comoção nacional em torno da morte do piloto.

Café Filosófico, jornal e presença pública

No fim dos anos 2000, Daniel Lins participou de 14 gravações do Café Filosófico, programa do Instituto CPFL realizado em parceria com a TV Cultura, e assinou a curadoria do módulo A Morte como Acontecimento. Em 2012, voltou ao programa para tratar da recepção de Nietzsche no Brasil, da Escola do Recife à Tropicália. Mantém ainda colaboração como articulista no jornal O Povo, de Fortaleza, e um canal no YouTube criado em 2023 sob o lema "A filosofia é a arte de criar problemas".

Livros e projetos de Daniel Lins

A bibliografia do autor reúne obras próprias e organizações. Entre os títulos mais conhecidos estão:

  • Lampião, o homem que amava as mulheres — estudo sobre o cangaço e o imaginário da violência, publicado pela Annablume;
  • Antonin Artaud: o artesão do corpo sem órgãos — ensaio sobre o corpo sem órgãos e a ética da crueldade, com segunda edição em 2011;
  • Juízo e verdade em Deleuze — estudo conceitual publicado pela Annablume em 2004;
  • Nietzsche e Deleuze: pensamento nômade — volume organizado a partir do simpósio internacional, publicado pela Relume Dumará em 2001;
  • O último copo: álcool, filosofia, literatura — ensaio publicado pela Civilização Brasileira em 2013.

Além desses, assinou Expressão Deleuze em Espinosa / Espinosa em Deleuze (2008), O devir-criança do pensamento (2009) e as organizações de Repensar os Estados Unidos (2003), com Loïc Wacquant, e A dominação masculina revisitada (1998), com Pierre Bourdieu, ambos pela Papirus.

Onde acompanhar o trabalho de Daniel Lins

O perfil público do autor pode ser acompanhado pelo Facebook e pelo canal no YouTube, além do currículo Lattes e da página que o Instituto CPFL mantém sobre sua participação no Café Filosófico. Quem se interessa pelos temas que ele trata encontra no site outras autoridades ligadas à psicologia e à literatura.

Os principais títulos do autor têm páginas próprias neste site, com contexto de publicação e link para onde a obra está disponível. Para quem chegou pelo interesse em cangaço, psicanálise ou filosofia contemporânea, os projetos de Daniel Lins funcionam como um mapa de entrada em sua produção.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Daniel Lins

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Daniel Lins

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.