Publicado pela Casa da Palavra em 2010, Onze Peças de Leilah Assumpção reúne em 608 páginas onze textos teatrais escritos ao longo de quatro décadas. O livro é a reunião mais ampla da dramaturgia da autora em um único volume e serve tanto para quem quer ler as peças quanto para atores, diretores e estudantes que precisam trabalhar com elas em cena e em sala de aula.
O que o volume reúne
São textos encenados no Brasil e no exterior, escritos entre os anos 1960 e os anos 1990:
- Vejo um Vulto na Janela, Me Acudam que Eu Sou Donzela, escrito em 1964 e encenado em 1979 por Emílio Di Biasi;
- Fala Baixo Senão Eu Grito, a estreia premiada de 1969;
- Jorginho, o Machão, de 1970;
- Roda Cor de Roda, montada por Antônio Abujamra em 1975;
- Kuka, o Segredo da Alma de Ouro;
- Boca Molhada de Paixão Calada, de 1984;
- Lua Nua, de 1987;
- Adorável Desgraçada, de 1994;
- O Grande Momento de Mariana Martins;
- Intimidade Indecente;
- Ilustríssimo Filho da Mãe.
Por que ler em livro o que foi feito para o palco
As peças de Leilah têm um ritmo de conversa que se sustenta na leitura. Os diálogos são longos, coloquiais e cheios de viradas de humor, o que permite perceber com clareza como a autora constrói suas personagens femininas: mulheres que negociam o tempo todo entre o que sentem e o que a sociedade espera delas. Lidas em sequência, as onze peças mostram a evolução de uma dramaturga que começou com uma noite de conversa entre dois desconhecidos e chegou a monólogos de maturidade.
Para quem serve
O volume atende a três públicos principais. O primeiro é o de leitores de literatura brasileira interessados em teatro escrito por mulheres. O segundo é o de atores e atrizes em busca de cenas e monólogos com conflito real, como o longo duelo entre Mariazinha e o invasor em Fala Baixo Senão Eu Grito. O terceiro é o de pesquisadores e professores que trabalham a dramaturgia produzida durante a ditadura militar e os desdobramentos dela.
Um retrato de época
Como documento, o livro registra o percurso de uma autora que escreveu sob censura, que trocou o teatro pela televisão e voltou aos palcos sem abandonar o tema central de sua obra: o lugar da mulher. É também a melhor porta de entrada para quem viu alguma montagem e quer conhecer os textos originais, com as rubricas e a estrutura completa das peças.
Como continuar a leitura
Quem termina o volume pode seguir para Memórias Sinceras, em que a autora conta os bastidores dos 50 anos de teatro, ou para o perfil da Coleção Aplauso, que acompanha a trajetória dela no teatro e na televisão. Juntos, os três livros formam um panorama raro de uma dramaturga que atravessou gerações mantendo as peças em cena.




