A Poesia completa — 1940-2004 não é antologia de gosto. É o arco: vinte e três livros, de As imaginações à maturidade de Plenilúnio, reunidos pela Topbooks quando Lêdo Ivo fez 80 anos. Prefácio de Ivan Junqueira. Índice de primeiros versos. Coedição com a Braskem.
Quem só conhece o acadêmico ou o romancista de Ninho de cobras encontra aqui o ofício que veio primeiro. Lêdo Ivo estreou poeta. Continuou poeta enquanto escrevia prosa, traduzia Rimbaud e ocupava a cadeira 10 da ABL. O volume permite ver o que mudou e o que não mudou no ouvido.
O que o livro reúne
Começa na década de 1940: As imaginações, Ode e elegia, Acontecimento do soneto, Ode ao crepúsculo, Cântico. Passa pela temporada europeia e por Estação central. Chega a Finisterra, o livro de 1972 que levou o Jabuti, o prêmio do Pen Clube e o da Fundação Cultural do Distrito Federal. Segue até A noite misteriosa, Curral de peixe, O rumor da noite e Plenilúnio.
Antonio Candido, depois de ler o livro de 2004, escreveu ao autor: encontrava o mesmo Lêdo e outro. A força de dentro, o virtuosismo de palavra, a transfiguração da fala corrente — e um teor musical mais próximo da conversa, sem prosaísmo. A carta entrou na apresentação da edição. Não é blurb de loja; é leitura de crítico que voltou aos versos depois de tempo.
Como ler sem se perder
Não é obrigatório ir do primeiro ao último poema. Um caminho útil: abrir em Finisterra para a Maceió poética da maturidade; voltar a Acontecimento do soneto para o diálogo com João Cabral e a forma fixa; terminar em Plenilúnio para o ouvido tardio. Outro caminho: ler a estreia e saltar três décadas, só para sentir o que a crítica chama de “o mesmo e o outro”.
- Editora: Topbooks, 2004 (esta edição comercial reaparece com data posterior de catálogo).
- Prefácio: Ivan Junqueira.
- Âmbito: 1940–2004, sem os livros póstumos espanhóis (Mormaço, Aurora).
- Uso: estudo, leitura contínua ou consulta por primeiro verso.
Para quem é
Para quem quer o poeta inteiro, não o recorte escolar. Para bibliotecas e leitores que já passaram por Cabral e Bandeira e procuram o alagoano de verso longo, mar, laguna e cidade. Não substitui Ninho de cobras: são gêneros diferentes. Também não inclui o ensaio nem a memória; para isso existem A ética da aventura e Confissões de um poeta.
O objeto é grosso. A edição é costurada, com papel de gramatura alta na descrição dos leitores que a manuseiam. Capa com retrato do autor e pintura na parte superior. Quem busca só um “melhores poemas” mais fino encontra antologias da Global; quem quer o corpus, é este volume.
O que fica de fora
Poemas posteriores a 2004, inclusive Réquiem (2008) e os livros que saíram primeiro na Espanha, não cabem neste recorte. A “completa” do título é completa até os 80 anos, não até a morte em 2012. Vale saber o limite antes de tratar o tomo como último verso.




