Um domingo perdido reúne treze contos de Lêdo Ivo na Global Editora. O volume é curto — pouco mais de cem páginas — e cabe a quem quer a prosa do autor sem entrar já no romance longo de Ninho de cobras nem na memória de Confissões de um poeta.
A tônica anunciada é a existência humana em cena miúda: frustração, amigo de infância, lembrança, amor, traição, o embaraço de um encontro na rua. Um homem distraído vê Papanastássio e o dia muda. O fragmento serve de amostra: o conto pega o instante e deixa o resto em suspense de caráter, não de tiro.
Como o livro se organiza
São treze narrativas, com ilustrações de César Landucci nesta edição. A Global também publicou Os melhores contos de Lêdo Ivo e as séries de “melhores poemas” e “melhores crônicas”. Um domingo perdido é volume próprio, não antologia de carreira. A segunda edição em catálogo data de 2010; o título circula desde o fim dos anos 1990.
A prosa aqui é mais imediata que a do romance de 1973. Há diálogo, tipo, rua. O ouvido de poeta aparece na frase, não no enredo fantástico. Quem leu a crônica urbana de Lêdo reconhece o gosto pelo detalhe de cidade e pelo mal-estar de reconhecimento: a figura do passado que atravessa a calçada e obriga o presente a se explicar.
- Editora: Global.
- Formato: capa comum, 112 páginas.
- Ilustração: César Landucci.
- Público: leitor de conto brasileiro; a indicação de idade do catálogo começa em 14 anos.
Para quem é
Para quem quer testar a ficção curta do autor antes do compromisso com Ninho de cobras. Para escola e leitura de fim de semana, desde que não se espere didatismo moral. Os temas são adultos mesmo quando a edição se apresenta em coleção acessível: perda, distração, aparecimento de alguém que não deveria estar ali.
Não substitui Os melhores contos se a busca for panorama. Não substitui o romance se a busca for a Maceió-personagem. É um livro de porta: treze entradas, nenhuma delas promete o edifício inteiro.
Limite
Há pouca fortuna crítica específica em torno deste título, comparado ao romance e à poesia. A descrição pública do volume é a da editora: treze contos, força de diálogo e personagem. Não inventar teses que o próprio livro não sustente em orelha ou resenha ampla. Para o conjunto da ficção curta, a Global tem a seleção de “melhores contos”; para o Lêdo de Alagoas, o caminho continua sendo Ninho de cobras.




