Contexto e proposta de Poesia Sonora
Poesia Sonora: poéticas experimentais da voz no século XX é a antologia que Philadelpho Menezes organizou em 1992 para trazer ao leitor brasileiro um debate que já corria na Europa e nos Estados Unidos. A EDUC, editora da PUC-SP, publicou o volume com 156 páginas e ISBN 8528300447. Não é um disco e não é um livro de poemas dele. É uma seleção de textos críticos e manifestos escritos pelos próprios protagonistas da poesia da voz, com um ensaio de Paul Zumthor sobre oralidade.
A editora descreve o território sem enfeite. A poesia sonora fica entre a literatura e a música, entre a fala e o canto, e não se confunde com nenhum dos dois. O livro cobre da formação dessa poética, no começo do século XX, até formas contemporâneas. Na capa aparecem nomes que desenham o mapa: Alexei Krutchonikh, Dick Higgins, Enzo Minarelli, Henri Chopin, Isidore Isou, Luigi Russolo, Paul Zumthor, Raoul Hausmann, Richard Kostelanetz, entre outros. Menezes assina a organização e a introdução. O gesto é de quem apresenta um campo e, ao mesmo tempo, marca posição dentro dele.
Para o leitor brasileiro, o volume responde a uma pergunta prática. Onde ler, em português, o que separa um poema feito para a boca de uma canção, de um recital e de uma peça eletroacústica? O irmão de Philadelpho, o compositor Flo Menezes, chegou a registrar que os dois discutiam exatamente isso: a música eletroacústica baseada na palavra falada não é poesia sonora. O livro dá material para essa distinção, em vez de dissolver tudo num adjetivo vago.
Quem consulta o título na página da EDUC encontra um livro de estudo, formato 14 por 21 centímetros, na área de filosofia, comunicação, letras e artes. Serve a quem acompanha poesia sonora, performance vocal, vanguarda histórica e a relação entre voz e escrita. O texto não promete iniciação fácil nem substitui a escuta. Entrega documentos: manifestos, ensaios e a moldura crítica de quem organizou o conjunto.
O limite também é explícito. A antologia não substitui o CD que ele lançou em 1996, Poesia Sonora: do fonetismo às poéticas contemporâneas da voz, nem o CD-ROM Interpoesia, feito com Wilton Azevedo. Aqueles são obras de escuta e de interação. Este é o livro que explica de onde essa escuta veio e quais autores sustentam o argumento. Também não é Poética e Visualidade, centrado na imagem. Aqui o problema é a voz.



