Contexto e proposta de Poética e Visualidade
Poética e Visualidade não é uma coletânea de poemas. É o mapa que Philadelpho Menezes desenhou, em 1991, para explicar como a poesia brasileira foi incorporando a imagem até chegar ao que ele chamava de poesia intersignos. O livro saiu pela Editora da Unicamp, na coleção Viagens da voz, e nasce do mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC-SP. A edição brasileira tem cerca de 198 páginas. Quem abre o volume procura uma ordem, não um manifesto de grupo.
Menezes parte de pressupostos da poesia concreta, ainda na fase de espacialização verbivocovisual, e separa três modos de compor. No poema-colagem, a sintaxe verbal se desfaz e o plástico manda. No poema-embalagem, o visual se curva à palavra. No poema-montagem, verbal e sonoro se organizam para produzir um sentido que não estava em nenhum dos dois sozinho. O critério corta uma confusão comum: nem todo trabalho com letra desenhada é poema visual, e nem todo poema visual faz a imagem significar.
O ensaio percorre a poesia experimental brasileira centrada na visualidade, do concretismo à poesia intersignos. Em 1994, a San Diego State University Press publicou a tradução inglesa, Poetics and Visuality: A Trajectory of Contemporary Brazilian Poetry, feita por Harry Polkinhorn, com ISBN 1-879691-29-9. A edição americana apresentou o mesmo argumento a leitores de fora: no aparente caos da vanguarda brasileira havia uma espinha dorsal, a incorporação da visualidade no poema. A edição de 1991, em português, é a que interessa a quem lê o autor na língua em que ele pensou o critério. Está esgotada na editora e circula em sebos. O exemplar à venda no Sebo Mosaico é essa edição da Unicamp.
O público não é o leitor que quer um romance nem o estudante que precisa de um resumo de escola. É quem estuda poesia concreta, poesia visual, semiótica ou a passagem da página impressa para outras linguagens, e precisa de um vocabulário que não chame tudo de experimental. Menezes escreve como poeta que também examina o método. A teoria sai do mesmo lugar da prática: os achados visuais dos anos 1980, as mostras no Centro Cultural São Paulo e a vontade de distinguir intersignos de arabesco.
Há um limite claro. O livro não reproduz a obra poética completa, não substitui A Crise do Passado, em que ele discute modernidade, vanguarda e metamodernidade, e não inclui os CDs de poesia sonora. Serve para ler a trajetória visual. Quem quiser a voz e o digital precisa dos outros trabalhos. Quem quiser a reunião dos poemas visuais encontra isso, bem depois, em Coisias reunidas, editado por Ana Aly.



