Salicande é o primeiro volume de Les Éveilleurs, a saga com que Pauline Alphen passou a ser lida na França como autora de fantasia e de antecipação para jovens. Claris e Jad são gêmeos. Vivem num vale isolado por montanhas, com o pai Eben, a ama Chandra e o preceptor Blaise. A mãe, Sierra, sumiu numa noite de tempestade, no dia em que eles completavam três anos. No vale, falar do passado é quase proibido. Os dois pressentem dons que ninguém explica direito.
A Hachette publicou o livro em 16 de setembro de 2009, com ISBN 978-2-01-201506-7. Em 2010, esse tomo recebeu o prêmio Imaginales dos collégiens e o prêmio Elbakin.net de melhor romance francês de fantasia juvenil. A editora apresenta a leitura a partir dos onze ou doze anos. Não é um manual de mundo: a autora pede que o leitor aceite não entender tudo de uma vez e se deixe levar pelo vale.
O que o livro pede do leitor
Claris quer aventura e se irrita com histórias em que só os meninos partem. Jad tem o corpo mais frágil, enxaquecas, menos chão aberto. Eles se entendem sem precisar dizer tudo. O castelo, a Torre dos Livros e a chuva fina do vale são o cenário. O gancho não é um vilão anunciado no primeiro capítulo. É o sumiço da mãe e a suspeita de que esse sumiço conversa com o que os gêmeos herdaram.
Pauline Alphen descreve a origem da cena numa biografia de editora. Em 2000, atrasada depois de deixar o filho na creche, perdeu o ônibus debaixo de chuva. Na corrida, viu Claris no caminho de ronda da Torre dos Livros e anotou a frase dela: as aventuras nunca aconteciam com as garotas. A saga amadureceu por anos. O festival Étonnants Voyageurs registra que a escrita firme do ciclo começou por volta de 2006. Salicande é o livro em que essa espera virou volume.
Os Gêmeos, a edição brasileira
No Brasil, o mesmo volume saiu em 2011 pela Companhia das Letras com o título Os Gêmeos, subtítulo Crônicas de Salicanda, livro 1. São 368 páginas, formato 16 por 23 centímetros, ISBN 978-85-359-2007-9. A tradução é de Dorothée de Bruchard, com a colaboração da autora. No dia do lançamento, Pauline Alphen escreveu que havia acompanhado a versão de perto e que o português lhe parecia tão seu quanto A odalisca e o elefante ou Do outro lado do Atlântico.
A série francesa segue com Ailleurs (2010), L'Alliance (2012), Le Passage (2013) e Le Nomadstère (2014). No Brasil, Separados e A Aliança saíram pela Seguinte. O volume de entrada é este: carrega os dois prêmios de 2010 e abre a saga tanto na Hachette quanto na Companhia das Letras. Os tomos seguintes mudam o mapa; não repetem este.
Quem deve começar por aqui
Começa por Salicande quem quer a saga no original francês, ou quem aceita ler em francês o livro que no Brasil se chama Os Gêmeos. O leitor de fantasia juvenil encontra um vale fechado, irmãos que não são cópia um do outro e uma mãe ausente que organiza o mistério. Não é romance de escola nem memória de infância. É o lado de invenção de Pauline Alphen, o que destoa da odalisca e do livro ilustrado sobre o Atlântico.



