Contexto e proposta de Um útero é do tamanho de um punho
Um útero é do tamanho de um punho é o livro que transformou Angélica Freitas em uma das poetas mais lidas e discutidas do Brasil. Lançado em 2012 pela Cosac Naify, o volume nasceu de um projeto que a autora começou a organizar depois de uma viagem à Argentina: escrever sobre algo importante para si mesma, sendo mulher e lésbica, como ela contou em entrevistas.
O título, que virou pergunta em provas e rodas de conversa, anuncia o tom do livro: poemas irônicos e diretos sobre corpo, desejo, maternidade, violência e os padrões que a sociedade impõe às mulheres. A recepção foi imediata. O livro recebeu o Troféu APCA de 2012 e ficou entre os finalistas do Prêmio Portugal Telecom de 2013.
Anos depois, a obra alcançou leitores fora do circuito literário. Em 2018, um poema do livro apareceu na questão 35 da prova do Enem. Em 2019, UFSC e UFFS incluíram o volume entre as leituras obrigatórias do vestibular 2020 — decisão que provocou uma moção de repúdio na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e ampliou o debate público sobre a poesia brasileira contemporânea.
A Companhia das Letras relançou Um útero é do tamanho de um punho em 2017, e a nova edição mantém o livro em circulação em livrarias e plataformas digitais. É o título mais citado quando se discute a poesia feminista brasileira das últimas décadas.





