Vento em Setembro não devolve Remo Bellini às ruas. Tony Bellotto usa a ossatura do policial — crime, sumiço, segredo de família — para uma história que começa numa fazenda de Assis, nos anos 1970, e continua em outra geração. O livro saiu em 10 de julho de 2024 pela Companhia das Letras, com 296 páginas, ISBN 978-85-359-3777-0 e capa de André Hellmeister. Em 2025 levou o Prêmio Jabuti de romance literário.
A sinopse oficial coloca o magnata rural Máximo Leonel, o Barão da Soja, organizando uma festa para marcar a iniciação sexual do filho mais novo, Alexandre. Laura, chamada da capital, entra na noite. Alexandre desaparece, e o mistério fica sobre a família e a cidade. No presente, o centro histórico de Ouro Preto aparece com pichações em prédios históricos e um jornalista no meio do barulho. A Veja São Paulo, no lançamento, deu nome a esse jornalista: Davi, escritor, na Ouro Preto de agora, enquanto o passado fica em Assis.
O que separa este romance da série Bellini
Bellini investiga casos e volta para casa no fim do livro. Vento em Setembro espalha o enigma por mais de cinquenta anos e por mais de uma cidade. A própria editora fala em Santos, Grécia, Assis, Cidade do México, parede de igreja e a repressão da ditadura, até um final que ela não entrega na orelha. Amor, desejo e trauma familiar entram no anúncio do livro como matéria do enredo, não como enfeite de um mistério de quarto fechado.
Bellotto disse à Veja São Paulo que a primeira frase puxou o resto e que, ao reler o que tinha escrito, percebeu estar evocando lugares onde viveu. Assis não é cenário aleatório: é a cidade da infância dele. Isso não transforma o romance em autobiografia. O magnata, a festa e o jornalista são ficção. O mapa, não.
Quando foi escrito e o que o prêmio mudou
A escrita começou na pandemia, antes da turnê Encontro, aquela que entre 2023 e 2024 recolocou no palco a formação histórica dos Titãs. O livro é o décimo primeiro de Bellotto e chegou às livrarias quando ele tinha 64 anos. O lançamento em São Paulo foi na Megafauna; no Rio, na Travessa de Ipanema. A capa preta, com o nome do autor em vermelho e uma imagem de santo atravessando a palavra Vento, é a arte de Hellmeister, não um retrato do músico.
O Jabuti de 2025, na categoria romance literário, tirou o livro da condição de “mais um título do guitarrista”. O PublishNews, ao cobrir a 67ª edição do prêmio, colocou Bellotto ao lado de Ruy Castro entre os vencedores de maior destaque. Para quem compra agora, o selo do prêmio está na edição anunciada como vencedora. O texto é o de 2024.
Quem deveria ler primeiro
Quem já leu a série Bellini e quer ver o autor fora do detetive. Quem cresceu com os Titãs e nunca abriu um romance dele. Quem procura policial brasileiro ambientado no interior paulista da ditadura, e não mais uma investigação na Paulista. Não é o livro certo para quem busca a biografia da banda, nem um ensaio sobre guitarra. O Livro do Guitarrista, de 2001, ocupa esse outro lugar.
A edição em português, capa comum, está na Amazon sob o título que inclui o Jabuti de 2025. Há também Kindle e audiolivro. São formatos do mesmo romance. A leitura que corresponde à capa preta e às 296 páginas é a da Companhia das Letras.



