Buscar autoridades

Imagem de capa do perfil de Adriana Lisboa
Foto de perfil de Adriana Lisboa

Adriana Lisboa

Nascimento: 1970 Rio de Janeiro / Colorado, Estados Unidos
Ver projetos (4)
Escritora carioca, venceu o Prêmio José Saramago com Sinfonia em branco. Publica romance, poesia e tradução, com livros em mais de vinte países.

José Saramago, ao entregar o prêmio que leva o seu nome, chamou Adriana Lisboa de autora para o presente e para o futuro. Ela tinha 33 anos, um romance de irmãs e silêncio chamado Sinfonia em branco, e ainda carregava no currículo a flauta transversa, a MPB cantada na França e a sala de aula no Rio de Janeiro.

Quem procura o nome dela raramente quer só a ficha do Prêmio José Saramago. Quer entender como uma escritora carioca transformou deslocamento — Rio, Paris, Kyoto, Colorado — em matéria de romance, poesia e tradução, e por que essa voz atravessa a literatura brasileira contemporânea sem virar moda de temporada.

Quem é Adriana Lisboa

Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro em 1970. É ficcionista, poeta, ensaísta e tradutora. Vive nos Estados Unidos, depois de passagens pela França e pela Nova Zelândia, e construiu uma obra que já circula em mais de vinte países. Em 2007, o Hay Festival, no projeto Bogotá 39, listou-a entre os 39 autores latino-americanos mais importantes com menos de 39 anos.

O catálogo público reúne romances como Sinfonia em branco, Um beijo de colombina, Rakushisha, Azul-corvo, Hanói, Todos os santos e Os grandes carnívoros; livros de poesia; o ensaio autobiográfico Todo o tempo que existe; contos; e obras para crianças e jovens, entre elas Língua de trapos, que levou o Prêmio de Autor Revelação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Poemas e contos dela saíram em Granta, Modern Poetry in Translation, Asymptote e na revista Casa de las Américas.

O que a distingue não é o volume de gêneros. É o modo como a mesma atenção — à frase, ao silêncio, ao corpo em trânsito — passa do romance familiar ao poema, da tradução ao livro infantil, sem precisar trocar de voz para mudar de prateleira.

Da flauta transversa ao Prêmio José Saramago

Antes da estreia literária, Lisboa formou-se bacharel em música, com flauta transversa, pela Uni-Rio. Aos dezoito anos cantava MPB na França. De volta ao Rio, lecionou flauta e teoria musical. A literatura veio depois, com mestrado em literatura brasileira e doutorado em literatura comparada pela Uerj — percurso de quem leu e ensinou a língua antes de virar nome de orelha.

O primeiro romance, Os fios da memória, saiu em 1999 pela Rocco e hoje está fora do prelo. Dois anos depois veio Sinfonia em branco, história de Clarice e Maria Inês, filhas de um fazendeiro fluminense, narrada fora da ordem cronológica. Em 2003, o livro recebeu o Prêmio José Saramago em Portugal. Também foi finalista do Prix des Lectrices da edição francesa da Elle e, na tradução inglesa, do PEN Center USA Literary Awards.

Em 2005, o Prêmio Moinho Santista reconheceu o conjunto dos romances. Em 2006, Língua de trapos confirmou o trânsito pela literatura infantil. A novela juvenil O coração às vezes para de bater ganhou o Selo Cátedra 10 da Unesco e virou curta-metragem no Brasil. Bolsa da Fundação Biblioteca Nacional financiou Um beijo de colombina; bolsa da Fundação Japão, Rakushisha.

  • 2003: Prêmio José Saramago por Sinfonia em branco
  • 2005: Prêmio Moinho Santista pelo conjunto da obra
  • 2006: Autor Revelação da FNLIJ por Língua de trapos
  • 2007: Bogotá 39 / Hay Festival
  • 2018: menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas por Pequena música

Por que o deslocamento atravessa os livros

A partir de Rakushisha (2007), o deslocamento deixa de ser biografia de fundo e vira eixo. O romance nasce de uma viagem ao Japão e de pesquisa no Nichibunken, em Kyoto. Azul-corvo (2010) leva Evangelina, de treze anos, de Copacabana ao Colorado, em busca do pai norte-americano, enquanto o padrasto Fernando reabre a memória da guerrilha do Araguaia. O jornal inglês The Independent elegeu a tradução Crow Blue um dos livros do ano. Hanói (2013), um dos livros do ano do jornal O Globo, trabalha encontro de culturas e miscigenação. Todos os santos (2019) trata luto e distância. Os grandes carnívoros (2024) devolve ao Brasil uma ativista que saiu da prisão nos Estados Unidos.

Essa geografia não é postcard. É o mesmo problema em endereços diferentes: pertencer sem terra firme, traduzir-se para outra língua, carregar um país nas costas sem conseguir voltar inteira. Há parentesco de recorte — não de estilo — com outro romancista brasileiro já reunido neste site: Milton Hatoum também escreve famílias, exílio interior e cidades que não devolvem quem saiu. Em Lisboa, o eixo costuma ser o corpo em trânsito; em Hatoum, a memória amazônica e a casa que não volta inteira.

A vida acadêmica acompanha o mapa. Foi pesquisadora visitante no Nichibunken e na Universidade do Novo México, ensinou no departamento de espanhol e português da Universidade do Texas em Austin e foi escritora residente na Universidade da Califórnia em Berkeley e na Universidade de Chicago. Palestras em Stanford, Yale, Princeton, Sorbonne, Leiden e Pequim, além de Flip, Feira de Frankfurt, Salão do Livro de Paris e Jaipur Literature Festival, mostram uma autora lida fora do circuito doméstico sem ter abandonado o português como língua de criação.

Tradução, poesia e o que ela faz além do romance

Lisboa traduz para o português ficção, poesia e ensaio. Entre os títulos públicos estão A estrada, de Cormac McCarthy; O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë; Jane Eyre, de Charlotte Brontë; poemas de Margaret Atwood; livros de Marguerite Duras; Uma voz vinda de outro lugar, de Maurice Blanchot; textos de Stefan Zweig; Vidro, ironia e Deus, de Anne Carson; e, com Mariana Ianelli, uma seleta de José Lezama Lima. A tradução aqui não é segundo ofício: é treino de ouvido que volta para a prosa própria.

Na poesia, publicou Parte da paisagem, Pequena música, Deriva, O vivo e Antes de dar nomes ao mundo (2025), este último pela Relicário, com versos que ela mesma ligou à morte do pai e à forma de diário. Há parentesco de insistência — de novo, não de tom — com Adélia Prado: as duas recusam o verso como ornamento e deixam o cotidiano, o luto e o corpo falarem sem pedir licença ao cânone masculino. Em 2022, colaborou com a compositora Jocy de Oliveira na ópera cinemática Realejo de vida e morte.

O site oficial reúne biografia, livros e vídeo-poemas. No Instagram, o perfil @adriana.lisboa.escritora publica leitura, lançamento e presença em feira. A Agência Riff representa a obra no Brasil. A RTP dedicou um episódio da série Herdeiros de Saramago à trajetória dela.

Por onde começar a ler Adriana Lisboa

Quem chega pelo prêmio começa por Sinfonia em branco: é a porta de entrada, o livro que Saramago saudou e o romance em que o silêncio familiar vira forma. Quem quer a escritora do deslocamento vai a Azul-corvo, talvez o título mais citado fora do Brasil. Quem prefere o livro mais recente em prosa encontra Os grandes carnívoros, romance curto sobre violência humana e animal. Quem lê poesia pode ir direto a Antes de dar nomes ao mundo.

O detalhamento de cada título principal está nas páginas de projetos ligadas a este perfil. Aqui cabe o arco: música, romance de família, viagem, imigração, luto, retorno. Adriana Lisboa não pediu ao mercado um nicho único. Pediu tempo — e foi acumulando países, prêmios e uma frase que ainda descreve o que o leitor encontra: uma autora do presente, com livros que não envelhecem no prazo da moda.

Projetos de Adriana Lisboa

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.

Sinfonia em branco
Sinfonia em branco
Romance de 2001, vencedor do Prêmio José Saramago, sobre duas irmãs, um segredo familiar e o silêncio numa fazenda fluminense.
0—
0—
Azul-corvo
Azul-corvo
Romance de 2010 sobre uma menina que deixa Copacabana rumo ao Colorado e reabre, com o padrasto, a memória da ditadura e da guerrilha do Araguaia.
0—
0—
Os grandes carnívoros
Os grandes carnívoros
Romance de 2024, pela Alfaguara, sobre uma ativista dos direitos dos animais que deixa a prisão nos Estados Unidos e tenta recomeçar no interior do Rio.
0—
0—

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Adriana Lisboa

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...