Durval de Noronha Goyos Júnior abriu em Xangai, em 2001, o primeiro escritório de advocacia de origem latina autorizado pelo governo chinês. O feito coroou uma expansão que já havia levado sua banca a Miami, Londres e Lisboa e que fez dele uma ponte entre o Brasil, a Europa e a Ásia no debate sobre comércio internacional.
Advogado especializado em direito internacional, ele atua em arbitragem, comércio exterior e defesa comercial e construiu uma obra escrita que passa por dicionários jurídicos bilíngues, tratados sobre a Organização Mundial do Comércio, livros de história e crônicas de jornal. Também conhecido como Durval Goyos, é procurado por quem acompanha as negociações comerciais brasileiras, por estudantes que consultam seus dicionários e por leitores da coluna que assina no Diário da Região, em São José do Rio Preto.
Quem é Durval de Noronha Goyos Júnior
Nascido em São José do Rio Preto, no interior paulista, em 8 de junho de 1951, ele escolheu cedo o caminho das relações internacionais. Estudou nos Estados Unidos como bolsista da AFS e concluiu o ensino médio na Wm. Hall High School, em West Hartford, Connecticut, em 1969. Voltou ao Brasil para cursar Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde também fez pós-graduação em Direito Comercial.
A formação continuou no exterior: pós-graduação em Direito Constitucional no Hastings College of Law, da Universidade da Califórnia, em São Francisco; curso de Língua e Civilização Italiana na UNESP; e revalidação do diploma de Direito na Universidade de Lisboa. Décadas depois, essa combinação de idiomas e sistemas jurídicos apareceria em livros como o dicionário português-mandarim e nas obras sobre a China.
Noronha Advogados: a banca que saiu do Brasil
Durval de Noronha Goyos Júnior é sócio sênior, fundador e presidente do Comitê Executivo do Noronha Advogados, escritório com sede em São Paulo e representações no Rio de Janeiro, em Lisboa, Miami, Buenos Aires, Londres e Pequim. A internacionalização começou nos anos 1980, quando a banca abriu um dos primeiros escritórios estrangeiros em Miami (1982) e, na década seguinte, representações em Londres (1988) e Lisboa (1989).
Em 2001 veio o passo mais comentado: a autorização do governo chinês para instalar um escritório em Xangai, o primeiro de origem latina no país. No mesmo ano, a banca abriu representação em Los Angeles. Ao longo da trajetória, manteve ainda escritórios e parcerias no Brasil e no exterior, em cidades como Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Campo Grande, Recife, Manaus, Porto Alegre, Xangai, Johanesburgo e Nova Délhi.
Arbitragem, OMC e a Rodada Uruguai do GATT
Além da advocacia societária, Noronha construiu autoridade no terreno em que o comércio internacional se decide: a arbitragem e a solução de controvérsias. É árbitro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, e foi antes árbitro do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT). Também integra as listas de árbitros da Comissão Internacional de Arbitragem Comercial da China (CIETAC), em Pequim e Xangai, e da Comissão de Arbitragem Internacional do Sul da China (SCIA).
Entre 1992 e 1993, foi representante ad-hoc do governo brasileiro na Rodada Uruguai do GATT, ciclo de negociações que deu origem à própria OMC, e presidiu a comissão da Ordem dos Advogados do Brasil dedicada ao acordo. Foi ainda o negociador-chefe da OAB nos acordos sobre as profissões jurídicas do Mercosul. É membro das ordens de advogados do Brasil e de Portugal, atua como solicitor na Inglaterra e no País de Gales e tem registro nas barras da Flórida e da Califórnia.
Os livros: do dicionário jurídico à literatura
A produção editorial acompanha essa trajetória. Noronha assina mais de 70 livros, entre obras de referência e ensaios. O mais conhecido é o dicionário jurídico inglês-português, publicado em várias edições e usado por advogados que trabalham com contratos e negociações internacionais. A ele se somam o dicionário de anglicismos, o dicionário empresarial português-mandarim e títulos como o Tratado de Defesa Comercial, Arbitration in the World Trade Organization e A China Pós-OMC.
- Dicionário Jurídico Noronha, em inglês e português, obra de referência em sucessivas edições;
- Tratado de Defesa Comercial: Antidumping, Compensatórias e Salvaguardas;
- Arbitration in the World Trade Organization;
- O Mundo Segundo Noronha, autobiografia publicada em 2023;
- As Crônicas de Caaporanga, crônicas publicadas no Diário da Região (2025).
A história também ocupa espaço na estante: escreveu sobre a campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália, obra publicada em português, inglês e italiano, sobre as guerras do ópio e os tratados desiguais e sobre a Revolução Cultural chinesa. Na ficção, adota o heterônimo António Paixão, com livros como Shanghai Lilly e A História da Literatura Erótica e Meus Contos Malditos.
Coluna no Diário da Região, UBE e reconhecimento
Na imprensa, assina a coluna Painel de Ideias no Diário da Região, onde escreve sobre política internacional, economia e cultura. Presidiu a União Brasileira de Escritores (UBE) entre 2015 e 2019, é diretor do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo e integra o conselho da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.
Entre os prêmios e distinções que constam em sua biografia estão o de melhor livro jurídico da Inter-American Bar Association, por GATT, Mercosul & Nafta (1998), e a eleição como um dos advogados mais admirados do Brasil na área de direito do comércio internacional, em levantamento da Análise Editorial. Recebeu condecorações como a Ordem do Mérito Judicial Militar, do Superior Tribunal Militar, a Medalha da Vitória, do Ministério da Defesa, e o título de cavaleiro da Real Ordem da Imaculada Conceição de Vila Viçosa, em Portugal.
O que Durval de Noronha Goyos Júnior ensina e pesquisa
A docência acompanha a advocacia desde os anos 1990. Foi professor e coordenador dos programas de pós-graduação em Direito Internacional e Direito do Comércio Internacional da Escola Paulista de Direito (2007-2009) e professor de Direito do Comércio Internacional na pós-graduação da Universidade Cândido Mendes. Passou como professor visitante, pesquisador ou conferencista por programas de pós-graduação na África do Sul, no Reino Unido e na Áustria, além de universidades na China, na Índia e nos Estados Unidos.
Somam-se a isso mais de 500 palestras em cerca de 20 países, sobre temas que vão do antidumping à arbitragem comercial e às relações entre Brasil e China. Nessa frente, atuou como consultor do Centro Norte-Sul da Universidade de Miami em questões da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
Perguntas frequentes sobre Durval de Noronha Goyos Júnior
Quem é Durval de Noronha Goyos Júnior?
Advogado brasileiro especializado em direito internacional, nascido em São José do Rio Preto (SP) em 1951. Fundou o Noronha Advogados, é árbitro da OMC e autor de mais de 70 livros sobre comércio internacional, defesa comercial, história e literatura.
Por que ele é conhecido no comércio internacional?
Porque participou da Rodada Uruguai do GATT como representante ad-hoc do governo brasileiro, integra listas de árbitros da OMC e de cortes arbitrais na China e abriu, em Xangai, o primeiro escritório de advocacia de origem latina autorizado pelo governo chinês.
Quais livros de Durval de Noronha Goyos Júnior são mais procurados?
O dicionário jurídico inglês-português, referência para advogados que atuam com contratos internacionais, e títulos como Tratado de Defesa Comercial, Arbitration in the World Trade Organization e a autobiografia O Mundo Segundo Noronha.
Onde acompanhar o trabalho dele?
No site acadêmico oficial, que reúne artigos, palestras e o currículo, e na coluna Painel de Ideias, do Diário da Região. A editora Observador Legal publica boa parte de seus livros.






