Quem é Eduardo Spohr
Eduardo Spohr nasceu no Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1976, e começou a publicar ficção por conta própria dentro de uma loja virtual de cultura pop, antes de qualquer editora assinar com ele. Filho de piloto de avião e comissária de bordo, passou a infância entre aeroportos e cidades de outros países, onde escrevia as primeiras histórias. Formou-se em Comunicação Social pela PUC-Rio em 2001, trabalhou na publicidade e atuou como repórter, analista de conteúdo e editor em portais da internet — Cadê Notícias, StarMedia, iG, iBest e Click21 — antes de viver da própria escrita.
Hoje ele é um dos nomes mais conhecidos da literatura fantástica brasileira, com duas trilogias concluídas, um universo de anjos que continua em circulação, um podcast semanal e um retiro de escrita que chegou à terceira edição. A trajetória dele diz menos sobre sorte editorial e mais sobre um autor que construiu o próprio público capítulo por capítulo.
Como A Batalha do Apocalipse chegou às livrarias
O romance que tornou Spohr conhecido saiu em 2007 pelo site Jovem Nerd, onde ele colaborava e participava do NerdCast, o podcast comandado por Alexandre Ottoni e Deive Pazos. Sem contrato com editora, vendeu mais de quatro mil exemplares pelo selo próprio do site, a NerdBooks. Em junho de 2010, o Grupo Editorial Record lançou o livro pelo selo Verus; até dezembro daquele ano, já eram 50 mil cópias vendidas.
A trama atravessa a queda dos anjos e o crepúsculo do mundo, costurando mitologias de várias civilizações. O autor, que se declara sem religião, contou em entrevista à revista Época que o contato com culturas diferentes e o clima de tensão da Guerra Fria o levaram a escrever sobre o fim do mundo. Entre as influências que ele cita estão Tolkien, Neil Gaiman, Stephen King, H. P. Lovecraft, além de quadrinhos, Matrix e animações japonesas.
O reconhecimento público veio na mesma década. Em 2013, Paulo Coelho declarou que Spohr estava entre as estrelas de sua geração de escritores brasileiros, declaração registrada pela imprensa quando o autor se preparava para a Feira do Livro de Frankfurt.
Filhos do Éden e a tetralogia angélica
Em 2011, Spohr abriu a trilogia Filhos do Éden com Herdeiros de Atlântida, seguida por Anjos da Morte (2013) e Paraíso Perdido (2015). A série parte da ideia de anjos como super-heróis — com hierarquias, poderes e rivalidades — e amplia o universo iniciado em A Batalha do Apocalipse, misturando Atlântida, textos apócrifos e conspirações celestiais.
O ciclo foi completado em 2016 por Filhos do Éden: Universo Expandido, guia ilustrado feito em parceria com Andrés Ramos que organiza cronologia, personagens e cosmologia do mundo criado pelo autor. Do mesmo material nasceu um suplemento de RPG compatível com Dungeons & Dragons 5.0, publicado em PDF. Com A Batalha do Apocalipse, os quatro romances formam o conjunto que a editora passou a chamar de Tetralogia Angélica, reunido em box.
Santo Guerreiro e a virada para a ficção histórica
Depois de mais de uma década no fantástico, Spohr trocou o céu pelo Império Romano. Em 2020 lançou Santo Guerreiro: Roma Invicta, primeiro volume de uma trilogia de ficção histórica que reconta a vida de São Jorge como capitão do exército romano. Vieram Ventos do Norte (2022) e O Império do Leste (2025), encerrando a série — que ganhou um box definitivo com os três romances.
A mudança de gênero não foi só de cenário: exigiu pesquisa sobre Roma, o cristianismo primitivo e as fronteiras do império, e levou o autor a um público novo, o de leitores de romance histórico. A trilogia fecha um ciclo aberto em 2020 e ocupa hoje um lugar próprio na estante de quem acompanha a ficção histórica brasileira.
Blog, podcast e retiro de escrita
Além dos livros, Spohr mantém desde 2009 o blog Filosofia Nerd, onde publica agenda de eventos, contos, artigos e material de apoio sobre escrita e mitologia. No podcast Minipod Literário, feito com o professor de literatura Thiago Cabello, responde dúvidas de ouvintes e comenta o mercado editorial toda sexta-feira, no Spotify e nos demais agregadores. Há ainda um canal no Telegram e uma newsletter hospedada no Medium.
O ensino ocupa espaço crescente na rotina. Spohr já ministrou curso de estrutura literária no Rio de Janeiro e, desde 2024, realiza o Retiro Literário, imersão presencial de quatro dias com aulas teóricas e práticas de escrita criativa. A terceira edição aconteceu em junho de 2026, em Capela do Alto, no interior de São Paulo, com turmas pequenas, análise de textos e mesas de RPG.
Ele também é presença recorrente em mesas sobre literatura fantástica ao lado de autores como André Vianco, Affonso Solano e Leonel Caldela, em eventos como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Por onde começar a ler Eduardo Spohr
Quem chega agora tem três portas de entrada, dependendo do gosto:
- A Batalha do Apocalipse — o romance que o tornou conhecido, com anjos, mitologia e o fim do mundo em escala épica.
- Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida — primeiro volume da trilogia dos anjos, para quem gosta de fantasia com hierarquias celestiais e conspirações.
- Santo Guerreiro: Roma Invicta — abertura da trilogia histórica sobre São Jorge como capitão romano, para leitores de romance histórico.
- Minipod Literário — o podcast semanal, para acompanhar de perto a visão do autor sobre escrita, leitura e carreira literária.
Os livros seguem em catálogo pela Verus, em capa comum e formato digital, e as obras da fase angélica costumam aparecer em boxes que reúnem a série completa.






