Imagem de capa do perfil de Ethevaldo Siqueira
Foto de perfil de Ethevaldo Siqueira

Ethevaldo Siqueira

Nascimento: 1932 São Paulo
Ver projetos (5)
Jornalista e escritor paulista que cobriu tecnologia e telecomunicações por mais de 50 anos. Colunista do Estadão, comentarista da CBN e autor de livros sobre o mundo digital.

Ethevaldo Siqueira acompanhou, por mais de meio século, a tecnologia entrar no cotidiano dos brasileiros — dos primeiros satélites de comunicação à internet nos celulares. Jornalista, escritor e consultor, ele dedicou a carreira a traduzir telecomunicações e novas tecnologias e foi chamado pela imprensa de "pai do jornalismo de tecnologia no Brasil".

Formado na primeira turma de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Ethevaldo trabalhou por 45 anos n'O Estado de S. Paulo, entre 1967 e 2012, além de assinar colunas em rádio e revistas. Quem procura entender como o país passou do telefone fixo ao smartphone, da Telebrás à privatização e do rádio à internet encontra na trajetória dele um fio condutor — e um arquivo de reportagens que atravessa décadas.

De Monte Alto ao Estadão: como começou a carreira

Ethevaldo Mello de Siqueira nasceu em Monte Alto, cidade do interior de São Paulo, em 1º de agosto de 1932. Ingressou no curso de jornalismo da ECA-USP em 1967, mesmo ano em que começou a trabalhar n'O Estado de S. Paulo. Na redação, passou por funções como repórter, editor, repórter especial, colunista e blogueiro até 2012. Quando deixou o jornal, disse que não pretendia se aposentar.

Há uma história de família que ele gostava de contar: o pai, Bento Siqueira, conheceu a mãe, Mercedes, por meio de um anúncio classificado publicado no próprio Estadão. O episódio, registrado no blog que ele manteve no jornal, virou uma forma de explicar por que defendia tanto o acesso à informação.

O que Ethevaldo Siqueira cobriu em 55 anos de profissão

Ele acompanhou de perto a corrida espacial, visitando os programas Apollo e Space Shuttle, da Nasa, e cobrindo lançamentos feitos pela União Soviética e pela Rússia. Na área de tecnologia, testemunhou o nascimento dos computadores pessoais, o desenvolvimento do mercado de satélites, a chegada das primeiras tecnologias móveis e a implantação da internet no Brasil.

Em 15 de fevereiro de 1993, mais de dois anos antes da estreia da internet comercial no país, escreveu no Estadão sobre "a revolução das redes de voz e de dados". A cobertura do Sistema Telebrás e a defesa pública da privatização da estatal fizeram dele uma das principais vozes do setor. Em 2001, falou de Bluetooth, de eletrônicos comandados por voz e de chips capazes de transformar celulares em computadores potentes — temas que só se popularizaram muitos anos depois.

A consolidação da tecnologia como assunto de imprensa não foi obra de uma pessoa só. Cora Rónai, por exemplo, lançou a primeira coluna de computação da grande imprensa brasileira, e Ethevaldo ajudou a transformar o setor em editoria fixa nos grandes jornais. Os dois nomes ajudam a explicar como o Brasil passou a ler sobre inovação no próprio noticiário.

Rádio, revistas e a produção editorial

Em 1979, Ethevaldo fundou a RNT (Revista Nacional de Telecomunicações), que dirigiu até 2001, e em 1991 criou a TelePress Latinoamérica, também dirigida até 2001. Nas duas publicações, acompanhou a política de telecomunicações, a regulação do setor e as disputas comerciais que moldaram o mercado brasileiro.

Na rádio, manteve a coluna Mundo Digital na CBN entre 2006 e 2017 e, nos últimos anos, retomou a parceria com o Grupo Estado na Rádio Eldorado FM. Também colaborou com as revistas Veja e Época entre 2005 e 2013, trabalho que rendeu o Prêmio Comunique-se de 2007 na categoria Jornalista de Tecnologia.

A experiência em sala de aula na ECA-USP

De 1986 a 1996, foi professor de Tecnologia da Informação e Telemática no curso de jornalismo da ECA-USP. Ex-alunos descrevem aulas em que ele usava as próprias coberturas como material de estudo e insistia no domínio dos manuais e dos fundamentos técnicos antes de qualquer texto.

Quem conviveu com ele em redação e em sala lembra de um jornalista apegado a detalhes e preciso nas descrições, que gostava de astronomia e de música e costumava contar que tinha sido a segunda pessoa em São Paulo a ter uma linha de celular.

Os livros de Ethevaldo Siqueira

A produção bibliográfica começou em 1987, com A Sociedade Inteligente, e seguiu por mais de duas décadas, misturando história, análise de políticas públicas e divulgação científica. Entre os títulos estão:

  • A Sociedade Inteligente: Sobre a Revolução das Telecomunicações, dos Computadores e dos Robôs (1987);
  • Telecomunicações: Privatização ou Caos (1992);
  • Telecomunicações: um Monopólio Contra o Brasil (1993);
  • Três Momentos da História das Telecomunicações no Brasil (1998), traduzido para o inglês como The Brazilian Telecommunications Saga;
  • Brasil: 500 Anos de Comunicações — A Eterna Busca da Liberdade (2000);
  • Grandes Personalidades das Comunicações (2001);
  • 2015: Como Viveremos (2004), sobre o impacto das tecnologias da informação na vida humana;
  • Revolução Digital (2007);
  • Para Compreender o Mundo Digital (2008), que reúne colunas do Estadão e comentários da CBN.

Os livros mais recentes abandonam o tom técnico e investem na tradução do mundo digital para o leitor comum — uma marca da fase final da carreira.

Prêmios e reconhecimento

Ao longo da trajetória, recebeu dois prêmios Esso: um no fim dos anos 1960, pela reportagem Eis a São Paulo: Ano 2000, e outro em 1978, por O mundo eletrônico dos Anos 80. A lista inclui ainda:

  • Prêmio Ministério das Comunicações (1974);
  • Prêmio Telesp de Telecomunicações (1979);
  • Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, do CNPq (1985);
  • Prêmio Comunique-se, categoria Jornalista de Tecnologia (2007).

Desde 2001, fazia parte do júri do Prêmio Embratel de Jornalismo.

Os últimos anos e o que fica da obra

Ethevaldo escreveu até o fim. Nos últimos anos, tratou de aviões elétricos e de modelos avançados de inteligência artificial para geração de imagens, temas que continuavam a alimentar sua coluna. Morreu em outubro de 2022, aos 90 anos, em São Paulo, onde tratava uma leucemia.

A obra dele circula entre tecnologia, ciência e literatura — três chaves de leitura para quem quer entender como o Brasil aprendeu a discutir inovação. As reportagens, os livros e as colunas de rádio continuam sendo uma das melhores portas de entrada para a história recente das comunicações no país.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Ethevaldo Siqueira

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Ethevaldo Siqueira

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.

Revolução Digital
Revolução Digital
Um século de invenções contado por quem cobriu eletrônica por 40 anos: da válvula ao chip, passando por rádio, TV, satélite e internet.
00%
00%