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Flávio Gikovate

Nascimento: 1943 São Paulo, Brasil
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Psiquiatra, psicoterapeuta e escritor formado pela USP, escreveu mais de 30 livros sobre amor, sexo e comportamento e apresentou o programa No Divã do Gikovate, na rádio CBN.

Flávio Gikovate sustentou durante quase cinco décadas uma tese que contrariava o senso comum: amor e sexo são fenômenos autônomos, que podem caminhar juntos, mas não se explicam um pelo outro. Formado em medicina pela USP em 1966, ele levou essa e outras ideias sobre comportamento para mais de 30 livros, para uma coluna na Folha de S.Paulo nos anos 1980, para programas de rádio e televisão e para o quadro No Divã do Gikovate, que apresentou na rádio CBN até 2016. Morreu em 13 de outubro daquele ano, aos 73 anos, na cidade onde nasceu, em 11 de janeiro de 1943.

Filho do médico Febus Gikovate, de origem polonesa, escolheu a psiquiatria por motivos que ele próprio classificava como pessoais e familiares. Desde 1967 atuava como psicoterapeuta, dedicado sobretudo às técnicas breves de psicoterapia, abordagens mais objetivas e voltadas a problemas concretos do presente. Em 1970, foi assistente clínico no Institute of Psychiatry da Universidade de Londres, experiência que ampliou seu repertório sem que ele se filiasse a escolas ou doutrinas acadêmicas fechadas.

Como Gikovate se tornou um divulgador da psicologia

O caminho para o grande público começou nas revistas. Em 1977, foi convidado pela revista Capricho para escrever sobre sexo e amor; já nos primeiros textos, tratava os dois temas como coisas distintas. Em 1979, uma entrevista de 11 páginas à revista Playboy, conduzida pelo jornalista Ruy Castro, ampliou o alcance de suas ideias. Entre 1980 e 1984, assinou uma coluna semanal de comportamento na Folha de S.Paulo; de 1987 a 1999, manteve uma página mensal na revista Claudia.

Na televisão, coordenou programas na Rede Bandeirantes no início dos anos 1990, participou da primeira fase do talk-show Canal Livre e apresentou o Falando de Verdade, exibido ao vivo, em que abria cada edição com considerações psicológicas sobre o tema do dia. Em 2010, aceitou o convite do autor Sílvio de Abreu e interpretou a si mesmo na novela Passione, da TV Globo, em cenas que discutiam o abuso sexual sofrido na infância pelo personagem Gérson, vivido por Marcello Antony.

O que Gikovate ensinava sobre amor, sexo e individualismo

No centro de sua obra está a defesa de que sexo e amor são impulsos separados. Gikovate também associava sexualidade e agressividade e diferençava desejo de excitação: o desejo, para ele, seria elitista e ligado à lógica da sociedade de consumo, enquanto a excitação seria um prazer mais democrático. Nos vínculos afetivos, criticava o ideal romântico da metade da laranja e defendia relações entre pessoas inteiras, capazes de conviver com a individualidade do outro, tema presente em livros como Uma Nova Visão do Amor e Para Ser Feliz no Amor.

Em aulas e cursos para profissionais de saúde, repetia alguns fundamentos: a ideia de que somos seres biopsicossociais, a autonomia entre sexo e amor, uma reflexão moral peculiar e uma visão que ele chamava de otimista e monista da condição humana. A linguagem simples, sem jargão, era parte do método: em vez de impor doutrinas, preferia partir das dúvidas de pacientes e leitores.

Uma obra com mais de 30 títulos

O primeiro livro saiu em 1975. Nas décadas seguintes, vieram títulos que se tornaram recorrentes nas estantes de quem se interessava por comportamento no Brasil, como Deixar de Ser Gordo, estudo sobre a psicologia da obesidade que chegou à sétima edição, A Arte de Educar, voltado a pais e professores, e Sexo, dedicado à sexualidade adulta. Ensaios sobre o Amor e a Solidão, Nós, os Humanos e Uma Nova Visão do Amor completam uma lista que passou de 30 obras, algumas traduzidas para o espanhol. Em 2015, ele publicou Gikovate Além do Divã, autobiografia em que revisitou a própria trajetória.

No Divã do Gikovate, conferências e consultório

Na rádio CBN, o programa No Divã do Gikovate era transmitido dentro do CBN Noite Total e também em edição dominical, com milhares de ouvintes. Paralelamente, ele mantinha agenda de conferências para o público geral e para plateias profissionais, com presença recorrente no Café Filosófico, projeto de palestras da CPFL Cultura que passou por cidades como Bauru. Também gravou o curso Psicoterapia Breve: Uma Abordagem Eclética, destinado a psicólogos, psicoterapeutas e demais interessados no comportamento humano, com aulas sobre a história da abordagem, a primeira consulta, fobias, distúrbios sexuais e o papel do terapeuta. O site da série +amor registra que ele atendeu mais de 9 mil pacientes ao longo de 47 anos de carreira.

Série +amor: a última obra inédita

Gikovate morreu antes de ver no ar +amor, série de oito episódios de 27 minutos sobre paixão, ciúme, sexo e individualidade, lançada em junho de 2021 no YouTube e exibida na TV Cultura. O projeto tem site próprio, o seriemaisamor.com.br, e reúne o que a produção descreve como sua última obra inédita: em cada episódio, ele parte de uma pergunta, como o que leva alguém a se apaixonar ou por que os opostos se atraem, para discutir como o ideal romântico do século 20 convive com o individualismo do século 21.

Como o trabalho de Gikovate continua acessível

Depois de 2016, a equipe que cuidava de seus projetos manteve no ar o canal oficial no YouTube, com aulas, palestras e o acervo do programa No Divã do Gikovate, que passou de 200 mil inscritos. Os livros seguem publicados pela MG Editores e continuam sendo procurados por leitores interessados em psicologia aplicada ao cotidiano, em especial quando o assunto é amor, sexualidade e convivência.

A produção intelectual de Gikovate também circula em outro território, o da literatura de não ficção brasileira, na qual seus mais de 30 títulos ocupam a prateleira dos livros que tentam traduzir a vida afetiva em linguagem simples, sem jargão.

Linha do tempo de Flávio Gikovate

  • 1943: nasce em São Paulo, em 11 de janeiro;
  • 1966: forma-se em medicina pela USP;
  • 1967: inicia a atuação como psicoterapeuta;
  • 1970: torna-se assistente clínico no Institute of Psychiatry, da Universidade de Londres;
  • 1975: publica o primeiro livro;
  • 1980 a 1984: assina coluna semanal de comportamento na Folha de S.Paulo;
  • 1987 a 1999: mantém página mensal na revista Claudia;
  • 2010: participa da novela Passione como ele mesmo;
  • 2015: lança a autobiografia Gikovate Além do Divã;
  • 2016: morre em 13 de outubro, aos 73 anos;
  • 2021: a série +amor estreia no YouTube e na TV Cultura.

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A Arte de Educar
A Arte de Educar
Livro voltado a pais e professores sobre como educar crianças e jovens para a autonomia, a responsabilidade e a convivência.
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Sexo
Sexo
Ensaio sobre sexualidade em que Gikovate separa amor e sexo e analisa desejo, excitação e agressividade na vida adulta.
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