Quem é Gloria Perez
Gloria Perez escreveu a novela que levou a clonagem humana e a cultura muçulmana para o horário nobre brasileiro. O Clone, exibida pela TV Globo entre outubro de 2001 e junho de 2002, colocou expressões como "maktub" na boca do público e ganhou versão em espanhol nos Estados Unidos. A mesma autora havia levado a barriga de aluguel ao horário nobre em 1990 e, em 2009, chegaria ao Emmy Internacional com Caminho das Índias.
Nascida no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1948, Gloria foi criada em Rio Branco, no Acre, e chegou ao Sudeste na adolescência para continuar os estudos. Formou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), depois de começar Direito na Universidade de Brasília (UnB), e entrou na TV Globo em 1979 como pesquisadora de texto. A pesquisa de campo virou marca registrada: antes de escrever, ela costuma mergulhar no universo que pretende retratar.
Linha do tempo de Gloria Perez
- 1948 — nasce no Rio de Janeiro e é criada em Rio Branco, no Acre.
- 1979 — entra na TV Globo como pesquisadora de texto.
- 1983 — estreia como autora em Eu Prometo, ao lado de Janete Clair.
- 1990 — assina Barriga de Aluguel, sua primeira novela solo.
- 2001 — escreve O Clone, sucesso internacional da faixa das oito.
- 2009 — vence o Emmy Internacional com Caminho das Índias.
- 2025 — encerra o contrato fixo que mantinha com a Globo.
De Rio Branco ao horário nobre
A família vivia no Acre quando Gloria nasceu, e a volta para o Norte aconteceu poucos dias depois do parto. Na infância, ela nadava em rios, subia em árvores e estudava em escola pública; aos quinze anos, mudou-se para Brasília, porque em Rio Branco o ensino regular parava no ginásio. Na UnB, cursou três anos de Direito e deixou o curso em 1968, quando a universidade foi invadida por militares. Já casada, prestou novo vestibular no Rio e concluiu História pela UFRJ. Chegou a iniciar um mestrado em História do Brasil, mas trocou a tese pela dramaturgia depois do convite de Janete Clair.
O começo na Globo, em 1979, misturou a pesquisa de texto de Memórias de Amor, de Wilson Aguiar Filho, com uma sinopse para o seriado Malu Mulher que acabou não sendo gravada. Passou ainda por Marron Glacé e por Pão-Pão, Beijo-Beijo antes de colaborar com Janete Clair em Eu Prometo, em 1983. Com a morte da autora titular, assumiu sozinha os capítulos finais, sob supervisão de Dias Gomes. Em 1984, dividiu com Aguinaldo Silva a autoria de Partido Alto, primeira novela assinada pelos dois como titulares.
Carmem, Barriga de Aluguel e a volta à Globo
Depois de ver a sinopse de Barriga de Aluguel ser recusada por ser considerada fantasiosa, Gloria aceitou o convite de José Wilker e escreveu Carmem na Rede Manchete, em 1987. A novela alcançou altos índices de audiência e chegou a superar a Globo no horário. O retorno à emissora veio com a minissérie Desejo, em 1990, e com a estreia de Barriga de Aluguel, que levou a gestação por substituição ao horário nobre, somou 243 capítulos e virou uma das novelas mais longas da faixa. Em 1992, ela assinou De Corpo e Alma, trama marcada pelo assassinato de sua filha, a atriz Daniella Perez.
O caso Daniella Perez e a mudança na lei
Daniella Perez tinha 22 anos e atuava em De Corpo e Alma quando foi morta, em 28 de dezembro de 1992, por Guilherme de Pádua, seu par romântico na novela, e pela então esposa dele, Paula Thomaz. O crime mobilizou o país e levou Gloria a liderar uma campanha que recolheu mais de um milhão de assinaturas pela inclusão do homicídio qualificado na Lei dos Crimes Hediondos. Ela tirou quinze dias de folga e voltou ao texto dizendo que escrevia "para continuar vivendo". O caso ganhou novo alcance em 2022, com a série documental Pacto Brutal, que reconstituiu a investigação e os julgamentos.
Novelas que viraram campanha
Boa parte das tramas de Gloria nasce de um tema social pesquisado a fundo. Explode Coração, de 1995, mostrou um programa de encontros por computador semelhante ao que se tornaria o Skype e abriu com uma tela sensível ao toque, antecipando gestos que só se popularizariam anos depois. Em O Clone, a clonagem humana e o cotidiano de uma família muçulmana deram o tom, e a campanha contra as drogas na novela foi premiada pelo FBI e pela DEA, nos Estados Unidos. Em 2012, quando a MIPCOM selecionou os 50 programas mais importantes dos seus 50 anos, O Clone foi o único título brasileiro da lista.
Outras obras seguiram a mesma lógica: Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, de 2007, reconstituiu a história do Acre; Caminho das Índias, de 2009, mergulhou na cultura indiana; Salve Jorge, de 2012, tratou do tráfico internacional de pessoas; A Força do Querer, de 2017, colocou em pauta a identidade de gênero, o tráfico de drogas e o vício em jogos de azar; e Travessia, de 2022, discutiu deep fake e o avanço da tecnologia nas relações, com núcleos no Maranhão e em Portugal.
Prêmios e reconhecimento
Em 2009, Caminho das Índias se tornou a primeira telenovela brasileira a vencer o Emmy Internacional de melhor novela. No mesmo ano, Gloria foi apontada pela revista Época entre os cem brasileiros mais influentes. A autora soma ainda prêmios como APCA, Troféu Imprensa, Prêmio Contigo! e Prêmio Extra de Televisão, e uma escola estadual de Rio Branco leva o seu nome. Seu trabalho é tema de um capítulo do livro Autores — Histórias da Teledramaturgia (Volume I, páginas 422 a 481), obra de referência na literatura sobre teledramaturgia no Brasil.
O fim do contrato com a Globo
Em abril de 2025, Gloria confirmou que pediu o fim do contrato fixo que mantinha com a Globo havia 35 anos. Ela preparava a sinopse da novela que substituiria o remake de Vale Tudo quando a direção da emissora considerou que um dos temas da história, o aborto, não se encaixava nas novas diretrizes. Em publicação nas redes sociais, a autora afirmou que não questiona a decisão da empresa e que não guarda mágoa da emissora. Desde então, segue sem vínculo fixo e mantém a rotina de pesquisa e escrita.
Como Gloria Perez pesquisa suas tramas
A pesquisa é uma etapa visível do método da autora. O site oficial dela, "de tudo um pouco", reúne arquivos de trabalho como as sinopses apresentadas de O Clone e de Explode Coração, vídeos de pesquisa, documentos do processo que inspirou a minissérie Desejo e o material reunido para Dupla Identidade. Na série de 2014 sobre um assassino em série, Gloria buscou orientação de psiquiatras e especialistas em perfis psicológicos e publicou em blog parte do que encontrava durante a produção.
Essa mistura de apuração e ficção explica por que temas tratados por ela anos atrás continuam rendendo busca e debate: internet, clonagem, tráfico de pessoas e deep fake apareceram nas novelas antes de virarem assunto de manchete, e uma parte dessas tramas segue disponível para quem quer rever os capítulos.
Perguntas frequentes sobre Gloria Perez
Onde assistir às novelas de Gloria Perez?
Parte dos títulos da autora está no Globoplay, o serviço de streaming da Globo, que funciona por assinatura. O Clone, Explode Coração, Salve Jorge, A Força do Querer e Travessia têm páginas oficiais no catálogo, com capítulos completos para assinantes.
Qual foi a primeira novela de Gloria Perez?
O primeiro crédito como autora foi em Eu Prometo, de 1983, em colaboração com Janete Clair. A primeira novela solo foi Barriga de Aluguel, exibida em 1990.
Gloria Perez nasceu em que cidade?
Ela nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de setembro de 1948, e foi criada em Rio Branco, no Acre, para onde a família voltou logo depois do nascimento.
Quais são as novelas mais conhecidas de Gloria Perez?
Entre as mais lembradas estão Barriga de Aluguel (1990), Explode Coração (1995), O Clone (2001), Caminho das Índias (2009), Salve Jorge (2012), A Força do Querer (2017) e Travessia (2022).






