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Lauro Escorel

Nascimento: 1950 Washington, D.C., Estados Unidos
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Diretor de fotografia e cineasta, Lauro Escorel assinou a imagem de São Bernardo, Bye Bye Brasil, Quilombo e Ironweed, além de dirigir Sonho sem Fim e Fotografação.

A estreia de Lauro Escorel como diretor de fotografia veio em 1971, com São Bernardo, de Leon Hirszman, e lhe rendeu o prêmio de melhor fotografia no Festival de Gramado de 1974. O reconhecimento abriu uma carreira que passaria por Bye Bye Brasil, Quilombo, Ironweed e uma longa lista de filmes brasileiros e internacionais.

Lauro Escorel Filho é o nome completo do cineasta conhecido profissionalmente como Lauro Escorel. Sua carreira atravessa o Cinema Novo, a retomada e a produção contemporânea, em um percurso que combina cinema de autor, documentário e produções internacionais.

De Washington à direção de fotografia

Nascido em Washington, em 5 de janeiro de 1950, durante a missão diplomática do pai, ele voltou ao Brasil ainda bebê. Filho do diplomata e escritor Lauro Escorel, cresceu perto do cinema: o irmão mais velho, Eduardo Escorel, seguiria carreira como montador e diretor. Antes de assinar a fotografia de um longa, Lauro trabalhou como assistente de Dib Lutfi e Affonso Beato, dois nomes centrais da cinematografia brasileira.

Depois de São Bernardo, vieram Toda Nudez Será Castigada (1973), de Arnaldo Jabor, Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina, Coronel Delmiro Gouveia (1977), de Geraldo Sarno, e Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), de Hector Babenco. O trabalho em Lúcio Flávio lhe deu o segundo prêmio de fotografia em Gramado, em 1978.

Hector Babenco e a passagem por Hollywood

A parceria com Hector Babenco começou em O Rei da Noite (1975) e atravessou mais de duas décadas. Depois de Lúcio Flávio, os dois voltaram a trabalhar juntos em Ironweed (1987), adaptação de William Kennedy com Meryl Streep e Jack Nicholson. O filme, rodado nos Estados Unidos, abriu as portas do mercado norte-americano para Lauro. Vieram então Indecency (1992), de Marisa Silver, Dangerous Heart (1993), de Michael Scott, e Amelia Earhart: The Final Flight (1994), de Yves Simoneau.

A parceria com Babenco voltou em Coração Iluminado (1998), que representou o Brasil no Festival de Cannes. O currículo internacional não interrompeu o trabalho no Brasil: Brincando nos Campos do Senhor, Dias Melhores Virão, de Cacá Diegues, e O Xangô de Baker Street, de Miguel Faria Jr., estão entre os títulos desse período.

Uma carreira entre autores e grandes produções

Lauro Escorel fotografou para diretores com projetos muito distintos. Com Leon Hirszman, fez São Bernardo e Eles Não Usam Black-Tie. Com Cacá Diegues, assinou Bye Bye Brasil, Quilombo, Dias Melhores Virão e O Maior Amor do Mundo. Com Arnaldo Jabor, passou por Toda Nudez Será Castigada, Eu Sei que Vou Te Amar e A Suprema Felicidade.

Nas décadas seguintes, o trabalho incluiu Domésticas, de Fernando Meirelles e Nando Olival, Uma Vida em Segredo, de Suzana Amaral, Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton, Vinicius, de Miguel Faria Jr., O Contador de Histórias, de Luiz Villaça, e Giovanni Improtta, de José Wilker. A lista inclui produções de diferentes portes, de filmes autorais a obras de grande escala, como Quilombo e Ironweed.

O que Lauro Escorel dirigiu

A direção veio depois de anos no departamento de fotografia. O primeiro trabalho foi Os Libertários (1976), curta documental sobre as greves operárias e o movimento anarquista em São Paulo no começo do século XX, premiado com a Margarida de Prata da CNBB. Em 1986, lançou Sonho sem Fim, seu primeiro longa de ficção, que ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Gramado.

Em 2017, codirigiu A Fera na Selva com Eliane Giardini e Paulo Betti. A adaptação da novela de Henry James teve Lauro também como diretor de fotografia. Dois anos depois, assinou Fotografação, documentário sobre a história da fotografia brasileira que estreou no 24º Festival É Tudo Verdade. Cada uma dessas obras tem uma página própria, com elenco, contexto e formas de acesso: Os Libertários, Sonho sem Fim, A Fera na Selva e Fotografação.

Fotografação e a memória da fotografia brasileira

Fotografação nasceu do desejo de colocar imagens clássicas brasileiras em circulação. O documentário, de 76 minutos, dialoga com o acervo do Instituto Moreira Salles e visita fotógrafos como Marc Ferrez, Maureen Bisilliat, Marcel Gautherot, Hildegard Rosenthal, Thomaz Farkas e José Medeiros. A câmera acompanha Lauro em conversas e reflexões sobre o país que essas imagens construíram.

“O documentário não é uma tese, é uma viagem que quero compartilhar com as pessoas”, disse ele em entrevista à Esquina da Cultura. O filme também discute o impacto da imagem digital sobre a fotografia e sobre a memória visual. Estreou no É Tudo Verdade em 2019 e chegou aos cinemas em março de 2020.

Prêmios, academias e reconhecimento

  • Festival de Gramado: melhor fotografia por São Bernardo (1974) e Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1978); Prêmio Especial do Júri por Sonho sem Fim (1986).
  • Cine Ceará (2002): melhor fotografia por Uma Vida em Segredo.
  • Festival Fiesp/Sesi de Cinema (2003): melhor fotografia por Acquária.
  • Festival de Brasília (2006): melhor fotografia por Batismo de Sangue.
  • CinePE (2013): melhor fotografia por Giovanni Improtta.

Lauro é membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (AMPAS) e um dos fundadores da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC).

Por que a obra continua sendo estudada

A trajetória de Lauro Escorel acompanha três momentos do audiovisual brasileiro: a afirmação do diretor de fotografia dentro do cinema de autor, a internacionalização de técnicos brasileiros nos anos 1980 e 1990 e a passagem para o documentário de memória nos anos 2010. Seu nome aparece em filmes de gerações diferentes, de Leon Hirszman a Fernando Meirelles, e em projetos que vão do cinema de autor à produção internacional.

Para quem estuda fotografia, os filmes com Babenco e Cacá Diegues são um ponto de partida; para quem se interessa pela história da imagem no Brasil, Fotografação oferece uma síntese possível. A página de fotografia do site reúne outros profissionais e projetos ligados ao tema. Os filmes seguem em festivais, mostras e plataformas; o perfil no IMDb e a página de Fotografação no IMS ajudam a localizar fichas técnicas e cópias.

Projetos de Lauro Escorel

Os Libertários
Os Libertários
Curta documental de 1976 em que Lauro Escorel recupera greves operárias e a memória libertária em São Paulo no início do século XX.
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Sonho sem Fim
Sonho sem Fim
Longa de estreia de Lauro Escorel na ficção, Sonho sem Fim acompanha um aspirante a astro que tenta construir uma produtora no Rio Grande do Sul dos anos 1920.
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A Fera na Selva
A Fera na Selva
Adaptação de Henry James dirigida por Eliane Giardini, Paulo Betti e Lauro Escorel, que também assina a fotografia do longa sobre um homem à espera de um acontecimento extraordinário.
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Fotografação
Fotografação
Documentário de Lauro Escorel sobre a fotografia brasileira, de Marc Ferrez à imagem digital, com passagens por Maureen Bisilliat, Marcel Gautherot e Thomaz Farkas.
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