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Foto de perfil de Otavio Frias Filho

Otavio Frias Filho

Otavio Frias de Oliveira Filho

Nascimento: 1957 São Paulo, SP
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Jornalista paulistano, filho de Octavio Frias de Oliveira, dirigiu a redação da Folha de S.Paulo de 1984 até a morte, em 2018.

Em 24 de maio de 1984, a capa da Folha de S.Paulo trouxe Otavio Frias Filho como diretor de Redação. Tinha 26 anos, não vinha da reportagem de rua e substituía Boris Casoy num cargo que ocuparia até a morte, em 21 de agosto de 2018.

Quem busca o nome costuma esbarrar em duas figuras que não se encaixam de primeira. De um lado, o filho mais velho de Octavio Frias de Oliveira, o empresário que comprou o jornal em 1962. De outro, o autor de peças e de um livro em que ele mesmo salta de paraquedas, toma o chá do Santo Daime e sobe ao palco. A trajetória que importa é o intervalo entre essas duas ocupações: a redação que ele passou a dirigir e a escrita que manteve fora dela.

Quem foi Otavio Frias Filho

Otavio Frias de Oliveira Filho nasceu em São Paulo em 7 de junho de 1957, primeiro filho de Octavio Frias de Oliveira e de Dagmar de Arruda Camargo. Quando o pai, em sociedade com Carlos Caldeira Filho, assumiu a Folha, em 1962, o menino tinha cinco anos. Na redação, os dois homônimos se separavam pelo trato. O pai era “seu Frias”. O filho ficou Frias Filho.

Os primeiros anos de escola foram no Jardim Escola São Paulo. Depois veio o Colégio Santo Américo, dirigido por beneditinos húngaros. Em 1975 entrou na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, e passou a aparecer todo dia no jornal. Formou-se em Direito e fez cursos de pós-graduação em ciências sociais na mesma universidade. O ofício público, porém, não foi o de advogado. Foi o de editor.

Como entrou na redação antes do cargo

O convívio com o jornal começou um ano antes da faculdade. Em 1974, aos 17, viajou aos Estados Unidos para um seminário de jornalismo ao lado de Cláudio Abramo, diretor de Redação e primeiro mentor dele na profissão. Numa conversa daquela viagem, o pai decidiu abrir o jornal a articulistas de correntes diferentes. Em 1975 a Folha lançou a página de opinião. Frias Filho escrevia editoriais e assessorava Abramo enquanto a redação testava, ainda sob a ditadura, um pluralismo que deixava de ser discurso e virava página impressa.

Em 1981 e 1982, já próximo dos editorialistas, organizou dois documentos que anteciparam o Projeto Folha. A própria Folha registrou depois um limite que ele reconhecia: nunca tinha trabalhado como repórter nem na produção do dia. Preferia o planejamento longo. Isso explica o tipo de chefia que exerceu. Não foi o repórter promovido. Foi o herdeiro que transformou método em norma, e que precisou conviver com a desconfiança de quem via no sobrenome a única explicação do cargo.

O que mudou na Folha a partir de 1984

O título de diretor apareceu na edição de 24 de maio de 1984. Na véspera, o primeiro compromisso tinha sido uma reunião com chargistas que pediam aumento. Houve resistência dentro e fora da redação, em boa parte porque era filho do dono. O constrangimento de origem não some com o tempo. O que passou a ser julgado em público foi o que a Folha fez sob essa direção.

O Projeto Folha condensou a linha ensaiada desde a abertura política: jornalismo crítico, apartidário e pluralista. O pressuposto era seco. O texto deve ser descritivo e preciso, mas tema em disputa admite mais de um ângulo. No mesmo 1984 saiu o Manual da Redação, conjunto de normas posto à venda para o leitor, não só circulado entre jornalistas da casa. Vieram os freios internos. Em 1989, o ombudsman, com estabilidade temporária para criticar o próprio jornal e recolher queixas de leitores. Em 1991, a seção diária “Erramos”, junto com a obrigação de publicar contestações.

Alguns marcos ajudam a situar o período sem transformar a biografia em cronologia de empresa:

  • 1983: lidera a campanha do jornal pelas Diretas Já.
  • 24 de maio de 1984: assume a Direção de Redação no lugar de Boris Casoy.
  • 1984: Projeto Folha e Manual da Redação.
  • 1986: a Folha se torna o diário de maior circulação do país.
  • 1989: criação do posto de ombudsman.
  • 1991: seção “Erramos” e Prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia.
  • 1994 a 1999: coluna semanal na página 2, reunida depois em livro.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor processou Otavio e outros jornalistas da Folha. A cronologia do jornal marca a vitória nesse processo em 1992. Não foi nota de rodapé. O diretor de Redação estava no polo passivo de uma ação do Planalto enquanto o diário vivia de fiscalizar o governo. A carta aberta a Collor, publicada na primeira página em abril de 1991, reapareceria anos depois na coletânea Seleção Natural, da Publifolha.

Em 2000, o Grupo Folha entrou na sociedade que criou o Valor Econômico com as Organizações Globo. O G1 registrou a participação de Frias Filho nessa criação. Em 2016, o Grupo Globo ficou como único dono do diário de economia. A cadeira dele, porém, continuou sendo a Direção de Redação da Folha. Até o fim manteve também uma coluna mensal no caderno Ilustríssima, distinta da página 2 dos anos 1990.

Sob essa direção, a Folha revelou em 1986 a fraude na concorrência da Ferrovia Norte-Sul e, em 2005, publicou reportagens centrais do mensalão. O mérito de cada apuração é da equipe que assinou. O ponto biográfico é outro: durante mais de três décadas, o padrão de ouvir o outro lado, separar fato de opinião e assumir erro em rubrica fixa teve um editor responsável com nome e sobrenome. O debate que ele editava cruza outras trajetórias de política. A escrita feita fora da redação cruza outros perfis de literatura.

Teatro, ensaios e a vida fora da primeira página

A primeira peça encenada em São Paulo foi Típico Romântico, em 1992. Depois vieram Rancor, em 1993, Don Juan, em 1995, e Sonho de Núpcias, em 2002. A última, O Terceiro Sinal, entrou em cartaz em 2018 no Teatro Oficina, com Bete Coelho. O texto narra a experiência dele como ator. Tutankáton, escrita por volta de 1990 e publicada pela Iluminuras em 1991, voltou em 2019 num volume da Cobogó ao lado de O Terceiro Sinal.

Os livros de não ficção marcam fases, não um catálogo único. De Ponta-Cabeça, da Editora 34, em 2000, reúne 99 artigos da coluna da página 2, escritos entre 1994 e 1999: estabilidade do real, ideias liberais na economia, internet de massa, religião como espetáculo de mídia, reeleição. Queda Livre, da Companhia das Letras, em 2003, é outro gênero. São sete reportagens em que o diretor de Redação vira personagem e chama o método de investigação participativa. Seleção Natural, da Publifolha, em 2009, junta 25 ensaios de cultura e política escritos ao longo de cerca de 25 anos, com posfácio de Marcelo Coelho. Na literatura infantil, publicou O Livro da 1ª Vez pela Cosac Naify, em 2004, e entrou em coletâneas como O Livro dos Medos e Vice-versa ao Contrário.

Em entrevista à GloboNews, ele separou as duas ocupações sem enfeite. Uma era a responsabilidade diária do jornal. A outra era a escrita, o lugar em que dizia se sentir à vontade desde cedo. O teatro e os ensaios não ilustram a biografia. São a segunda assinatura, feita por alguém que passava o dia cobrando texto seco dos outros.

A doença e o que ficou sem ponto final

O diagnóstico de câncer de pâncreas chegou em setembro de 2017. Marcelo Coelho, na Folha, no dia da morte, anotou cinco ciclos de quimioterapia e o fato de que, até cerca de dez dias antes, Frias Filho ainda falava com o equilíbrio de sempre. Morreu em São Paulo em 21 de agosto de 2018, aos 61 anos. Deixou pronto um livro infantil, A Vida é Sonho e Outras Histórias para Pensar, e uma coletânea de artigos recentes. Ficou inacabado o volume em que pretendia cruzar a vida do pai com a própria experiência do presente. Antes disso tinha planejado um estudo sobre Monteiro Lobato e um ensaio longo sobre Carlos Lacerda, do qual saiu uma versão curta na revista piauí.

O irmão Luiz Frias seguiu na presidência do grupo. A cadeira de diretor de Redação passou a outros nomes. O que permanece com a assinatura de Otavio é um modo de editar jornal, sustentado por manual, ombudsman e errata diária, e um conjunto curto de livros e peças. A crônica institucional está no relato da própria Folha sobre o lugar dele na história do jornal.

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Queda Livre
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Sete investigações participativas de Otavio Frias Filho, pela Companhia das Letras, em que o autor entra nas cenas que descreve.
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De Ponta-Cabeça
De Ponta-Cabeça
Noventa e nove artigos da coluna semanal de Otavio Frias Filho na página 2 da Folha, escritos entre 1994 e 1999.
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