Foto ilustrativa do produtor João do Rio

Projeto relacionado a:

João do Rio
Imagem promocional do produto A alma encantadora das ruas

A alma encantadora das ruas

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Crônicas de 1904 a 1907 em que João do Rio flana pelo Rio da Belle Époque e transforma a rua em personagem.

Contexto e proposta de A alma encantadora das ruas

A alma encantadora das ruas não pede mapa turístico. Pede perna. Publicado em 1908 pela Garnier e reaberto pela Companhia de Bolso com organização de Raúl Antelo, o livro junta crônicas saídas na imprensa carioca entre 1904 e 1907, quando o Rio deixava de ser corte morosa para se vender como capital federal à moda de Paris.

João do Rio declara amor à rua como quem declara ofício. O flâneur da Belle Époque tropical não observa de sacada: desce ao vendedor ambulante, ao mendigo, à prostituta, ao operário, ao cortejo e à oração escondida. O contraste não é decoração. De um lado, o glamour dos salões. Do outro, a “plebe ignara” que a reforma urbana queria varrer. O cronista circula nos dois andares e recusa o eufemismo.

A estrutura mistura conferência e reportagem. Há o texto antológico “A Rua”, tributo quase físico ao asfalto, e há as peças em que a cidade vira caleidoscópio: tipos, falas, hábitos, fé popular. O método — sair, conversar, anotar, devolver em prosa — é o mesmo da série sobre religiões, só que aqui o tema é o espaço público em si. Por isso o livro virou porta de entrada: quem quer entender o jornalista encontra o laboratório; quem quer o Rio antigo encontra gente, não cartão-postal.

A edição da Companhia de Bolso, lançada em 6 de março de 2008, traz 256 páginas no formato 12,5 × 18 cm, capa de Jeff Fisher e o aparato crítico de Antelo, professor da UFSC que há décadas lê João do Rio como dândi e espião da mercadoria. A obra também figura como leitura obrigatória do vestibular da UFSC, o que desloca o livro da prateleira de raridade para a de uso escolar e universitário.

Não é crônica fácil. A sintaxe do começo do século XX exige paciência. Em troca, o leitor ganha um documento da modernidade brasileira no momento em que ela se inventava: o bonde, a vitrine, o cortiço, a oração, o flerte, a pressa. Quem chega por Luiz Antonio Simas e pela Flip 2024 encontra aqui o tutor da curiosidade randômica — a rua como método, não como cenário.

Vale abrir esta edição quando o interesse for o livro-matriz, com texto estabelecido e aparato. Outras reimpressões existem, inclusive comentários recentes; o volume da Companhia de Bolso continua sendo o caminho mais estável para ler a obra inteira, em português, com contexto. Não promete Rio maravilhoso. Promete Rio observado.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse A alma encantadora das ruas.


O que você acha deste Projeto?

O projeto A alma encantadora das ruas entrega o que promete? Foi uma boa experiência de aprendizagem ou serviço? Mande o seu feedback franco.

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por A alma encantadora das ruas, talvez também queira conhecer outros projetos de João do Rio.

Ver perfil completo
As Religiões no Rio
As Religiões no Rio
Série de 1904, depois livro, em que João do Rio mapeia terreiros, igrejas e crenças da capital federal.
00%
00%
Vida vertiginosa
Vida vertiginosa
Coletânea de 1911 sobre o Rio das reformas de Pereira Passos, agora em edição anotada da José Olympio.
00%
00%
Dentro da noite
Dentro da noite
Contos de 1910 em que João do Rio leva o Rio para o mistério, o ocultismo e a rua escura.
00%
00%