Por que a democracia foi uma surpresa
A Democracia Inesperada chegou às livrarias em 2004, pela Zahar, num momento em que a América Latina vivia uma onda de governos de esquerda e de renovadas expectativas sobre a política. Bernardo Sorj escolheu o caminho oposto ao entusiasmo: olhar para a democracia que de fato se instalou na região, com suas conquistas e seus limites, e perguntar por que o resultado ficou tão distante do que se projetava.
O subtítulo da edição brasileira resume o campo do livro: cidadania, direitos humanos e desigualdade social. São 128 páginas dedicadas a entender como a expansão formal dos direitos conviveu com exclusão persistente e com uma crise de representação que não se resolveu com o fim dos regimes autoritários.
O que o livro examina
A obra discute a formação de uma sociedade civil ativa e suas tensões com o sistema político, o papel dos direitos humanos como linguagem comum dos conflitos e a distância entre eleitores e partidos. A edição em espanhol, La democracia inesperada, saiu pela Prometeo Libros com prefácio de Guillermo O'Donnell, um dos principais cientistas políticos da região.
Para o leitor que acompanha a trajetória de Sorj, o livro é uma peça de encaixe: antecipa os temas que apareceriam depois em Em que mundo vivemos? e em Identidades e Crise das Democracias. Para quem estuda a política latino-americana, funciona como uma análise do intervalo entre a redemocratização e a crise de confiança que marcou as décadas seguintes.





