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Bernardo Sorj

Nascimento: 1948 Montevidéu, Uruguai
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Sociólogo nascido em Montevidéu e radicado no Brasil, dirige o Centro Edelstein e a Plataforma Democrática e assina mais de 30 livros sobre democracia e sociedade.

Bernardo Sorj é um sociólogo nascido em Montevidéu, em 26 de setembro de 1948, e radicado no Brasil desde 1976 — o mesmo ano em que defendeu, na Universidade de Manchester, a tese de doutorado sobre o Estado no capitalismo periférico, com o Peru pós-1968 como estudo de caso. Quem chega ao nome dele por um título específico costuma encontrar uma obra que atravessa cinco décadas e quatro frentes principais: agricultura e biotecnologia, teoria social e desigualdade, democracia e sociedade da informação, e judaísmo.

Professor titular aposentado de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele dirige o Centro Edelstein de Pesquisas Sociais desde 2004 e o projeto Plataforma Democrática, da Fundação FHC, desde 2006. Publicou mais de 30 livros em português, espanhol, francês, inglês e ucraniano e mais de 100 artigos acadêmicos. Boa parte dessa produção circula em acesso aberto no site oficial, o que ajuda a explicar por que o nome reaparece tanto em bibliografias de ciências sociais e em debates sobre a qualidade da democracia na América Latina.

Formação: Uruguai, Israel e Manchester

A trajetória acadêmica de Sorj começou longe do Brasil. No Uruguai, estudou Antropologia no período em que Darcy Ribeiro vivia no país e ensinava a estudantes e exilados. Em Israel, formou-se em História e Sociologia pela Universidade de Haifa em 1972 e concluiu o mestrado em Sociologia na mesma instituição em 1973. O doutorado em Sociologia veio da Universidade de Manchester, na Inglaterra, em 1976, com a tese The State in Peripheral Capitalism: A Case Study of Peru after 1968.

Radicado no Brasil a partir de 1976, lecionou no Departamento de Ciência Política da UFMG até 1983, passou pelo Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio entre 1983 e 1986 e ingressou na UFRJ em 1986. Foi professor titular do Departamento de Sociologia da UFRJ de 1995 a 2012, quando se aposentou.

  • Formação: História e Sociologia (Universidade de Haifa) e doutorado em Sociologia (Universidade de Manchester, 1976).
  • Docência: UFMG, PUC-Rio e UFRJ, com períodos de pesquisa na Europa e nos Estados Unidos.
  • Direção: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, desde 2004, e Plataforma Democrática, desde 2006.
  • Publicações: mais de 30 livros e mais de 100 artigos, em cinco idiomas.

As cátedras em Paris e a circulação internacional

Entre 1999 e 2002, Sorj ocupou duas cátedras europeias dedicadas à América Latina. A primeira foi a Cátedra Sérgio Buarque de Hollanda, na Fondation Maison des Sciences de l'Homme, em Paris. A segunda foi a Cátedra Simón Bolívar, no Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine, ligado à Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle).

Antes disso, já tinha sido pesquisador visitante na Universidade de Wisconsin-Madison, em 1978, na OCDE, em 1982, e na École des Hautes Études en Sciences Sociales, entre 1984 e 1985. Depois, integrou o Instituto de Estudos Avançados da USP, entre 2013 e 2015, a Brookings Institution, entre 2015 e 2016, a Annenberg School da Universidade do Sul da Califórnia e a Transatlantic Academy. Entre 2011 e 2018 foi pesquisador sênior do CNPq.

Da agroindústria à sociedade da informação

A primeira fase da obra trata de agricultura, agroindústria e biotecnologia. Estado e Classes Sociais na Agricultura Brasileira, de 1980, saiu pela Zahar e se tornou leitura de referência sobre as relações de trabalho no campo. Em 1987, From Farming to Biotechnology, escrito com David Goodman e John Wilkinson e publicado pela Blackwell, propôs uma teoria do desenvolvimento agroindustrial; a versão brasileira, Da Lavoura às Biotecnologias, chegou em 1990 pela Campus.

Nos anos 2000, o foco migrou para o impacto social das tecnologias digitais. brasil@povo.com, de 2003, discutiu a luta contra a desigualdade na sociedade da informação; no mesmo ano, a UNESCO publicou a versão em inglês, brazil@digitaldivide.com. Com Luiz Eduardo Guedes, escreveu Internet na favela, estudo sobre acesso e usos da rede em comunidades populares. Mais tarde vieram Sobrevivendo nas Redes — Guia do Cidadão, de 2018, pela Moderna, e Corações e Mentes, de 2021, sobre autonomia de pensamento dentro e fora da internet.

Democracia, identidades e crise das representações

O tema que consolidou o nome de Sorj fora do meio acadêmico é a política latino-americana. A Nova Sociedade Brasileira, de 2000, e A Democracia Inesperada, de 2004, examinam como a redemocratização conviveu com desigualdade persistente e com uma crise de representação que não se resolveu. Em 2022, Identidades e Crise das Democracias ligou a crise identitária contemporânea à reação conservadora e ao avanço de agendas autoritárias, livro que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2023.

Antes, Em que mundo vivemos?, de 2020, já tinha organizado esse diagnóstico em dez capítulos, do Estado de bem-estar à sociedade da desinformação, e foi finalista do Jabuti em 2021. Como diretor da Plataforma Democrática, Sorj transformou o tema em coleção: a série O Estado da Democracia na América Latina, que dirigiu com Sergio Fausto, reúne estudos sobre mídia, religião, nacionalismo e sistema político, com edições em português e espanhol.

Judaísmo, geopolítica e os livros recentes

Outra linha constante é o pensamento judaico. Com o rabino Nilton Bonder, escreveu Judaísmo para o Século XXI, de 2001. Em Judaísmo para todos, publicado em 2009 e 2010 em diferentes países, apresentou a tradição, a ética e a vida comunitária judaicas para leitores judeus e não judeus, sem dogmatismo. O assunto voltou em 2024 com Geopolítica e História do Povo Judeu, pela Garamond, uma introdução que percorre três milênios para explicar como a condição de minoria moldou instituições, imaginário e estratégias de sobrevivência do povo judeu, do pacto bíblico aos efeitos do Holocausto e da criação do Estado de Israel.

Reconhecimento público, consultorias e edições

Em 2005, o Jornal do Brasil elegeu Sorj "Homem das Ideias". Ele já prestou consultoria a instituições como Comissão Europeia, UNESCO, OCDE, BID, PNUD, Fundação Ford, FAPESP e FAPERJ, e integrou a coordenação da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia e da Comissão Global sobre Drogas entre 2009 e 2011. Também assina a edição em português do Journal of Democracy e participa de conselhos editoriais de periódicos acadêmicos no Brasil e no exterior.

Na atividade editorial recente, organizou com Sergio Fausto os volumes Nacionalismo e Democracia na Europa e no Brasil e Desafios do Sistema Político Brasileiro, ambos de 2024, publicados pela Fundação FHC. Os dois livros reúnem pesquisadores da Europa e da América Latina em torno de uma pergunta comum: o que enfraquece, hoje, a confiança nas instituições democráticas?

Perguntas frequentes sobre Bernardo Sorj

Bernardo Sorj é brasileiro ou uruguaio?

Ele nasceu em Montevidéu, no Uruguai, em 1948, e vive no Brasil desde 1976, quando chegou para trabalhar como professor. Tem cidadania brasileira e uruguaia e é naturalizado brasileiro.

Quais livros de Bernardo Sorj procurar primeiro?

Depende do interesse. Para entender a leitura dele sobre a democracia latino-americana, os pontos de entrada mais diretos são A Democracia Inesperada, Em que mundo vivemos? e Identidades e Crise das Democracias. Para a discussão sobre internet e desigualdade, brasil@povo.com e Sobrevivendo nas Redes. Para o pensamento judaico, Judaísmo para todos e Geopolítica e História do Povo Judeu.

Onde encontrar os textos e as publicações dele?

Os livros comerciais têm edições em livrarias, e parte das obras coletivas e ensaios está disponível para leitura gratuita na Plataforma Democrática e no site oficial do autor. As edições em português assinadas por ele circulam por editoras como Zahar, Civilização Brasileira, Garamond e Fundação FHC.

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Em que mundo vivemos?
Em que mundo vivemos?
Diagnóstico do presente em dez capítulos: do Estado de bem-estar à sociedade da desinformação, por que o futuro parece ter entrado em colapso.
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