Uma história judaica lida pela geopolítica
Bernardo Sorj parte de uma constatação que costuma passar ao largo das histórias do povo judeu: durante a maior parte de seus três milênios, os judeus viveram como minoria. Geopolítica e História do Povo Judeu, publicado pela Editora Garamond em 2024, acompanha as consequências políticas dessa condição — dos tempos bíblicos e dos impérios que disputaram a terra de Israel até o Holocausto e a criação do Estado de Israel.
Não é uma cronologia de perseguições nem um resumo religioso. O livro tem 124 páginas e organiza a narrativa em torno de um problema específico: como uma minoria responde, se adapta e reorganiza o próprio imaginário quando o poder que a cerca muda de mãos.
Do pacto bíblico ao judaísmo contemporâneo
O percurso começa no pacto entre Deus e o povo judeu e nas transformações que ele sofre sob assírios, babilônios, persas, gregos e romanos. Nesse processo, os profetas reinterpretam o pacto, introduzem a figura do Messias e transformam o Deus de Israel em Deus único e senhor da história.
Com a expansão do cristianismo e do islamismo pelo Mediterrâneo, os judeus sobrevivem como minoria sustentados por uma relação complexa com as outras religiões monoteístas e por um estilo de vida e um sistema jurídico próprios, elaborados pelos rabinos a partir da Bíblia e do Talmud. A modernidade acrescenta outra virada: a promessa de liberdade e igualdade exige do judaísmo novas lideranças e novas correntes religiosas e seculares.
Quem procura uma introdução rigorosa e curta ao tema encontra aqui um texto de síntese, escrito por um sociólogo que investiga religiões e identidades há décadas. O volume dialoga diretamente com outro livro do autor, Judaísmo para todos, e serve tanto para quem quer entender a formação histórica do judaísmo quanto para quem busca contexto antes de aprofundar a leitura em obras especializadas.





