Por que a pergunta identitária voltou ao centro
Identidades e Crise das Democracias, publicado em 2022 por Plataforma Democrática, Fundação FHC e Centro Edelstein, parte de uma percepção simples: as perguntas "quem sou eu" e "quem somos nós" aparecem com força em tempos de mudança e turbulência. Bernardo Sorj mostra que elas não são novas, mas se tornaram dominantes na modernidade, quando as respostas aprendidas na infância deixam de bastar e passam a exigir revisão constante.
O argumento tem duas camadas. Na primeira, o livro reconstrói os fundamentos das identidades coletivas, individuais e da subjetividade, examinando como elas se transformam ao longo da história — inclusive em função de mudanças nos sistemas geopolíticos de poder. Na segunda, analisa como o mal-estar social e econômico é apropriado por discursos antidemocráticos.
Da individualização à reação conservadora
A obra percorre a condição humana e a individualização, a relação entre identidades e história, as identidades na modernidade e a crise atual. Em seguida, trata da reação conservadora que combina nacionalismo e religião e discute o que vem além da conjuntura, num capítulo final dedicado ao humanismo.
Os anexos ampliam o debate com dois textos: um sobre a convivência democrática como "politeísmo de valores" e outro sobre direitos humanos no século XXI, que pergunta como agregar e repensar direitos sem fragmentar a própria ideia de humanidade. O conjunto rendeu ao livro a condição de finalista do Prêmio Jabuti em 2023, na esteira de Em que mundo vivemos?, também finalista em 2021.
É um livro para quem quer entender por que eleições, redes sociais e ressentimentos legítimos passaram a caminhar juntos — e por que a defesa da democracia exige mais do que repetir procedimentos.





