A Lanterna foi um dos periódicos mais combativos da imprensa anticlerical brasileira. Fundado por Benjamim Mota em 1901, o jornal teve três fases distintas e passou pela direção de Edgard Leuenroth entre 1909 e 1916 e, mais tarde, entre 1933 e 1935. Sua temática central era a crítica ao poder da Igreja Católica e à influência do clero na vida pública e na educação.
Uma trincheira anticlerical
No início do século XX, o anticlericalismo era uma das frentes de luta dos meios operários e livre-pensadores. A Lanterna publicava denúncias, sátiras e reportagens sobre abusos cometidos por autoridades religiosas, o que rendeu ao jornal inimigos poderosos e processos judiciais. Em 1912, a campanha em torno do caso do Orfanato São Cristóvão levou Leuenroth à prisão, de onde saiu com apoio do advogado e escritor Evaristo de Morais. O episódio mostra o custo pessoal de dirigir um jornal de oposição naquela época.
Um espaço para novas ideias
Além da crítica religiosa, o periódico abriu espaço para o debate anarquista. Foi nas páginas de A Lanterna que José Oiticica publicou seu primeiro texto libertário, tornando-se depois um dos principais pensadores do anarquismo no Brasil. A publicação também acompanhou a organização dos trabalhadores gráficos, setor do qual Leuenroth fazia parte, e contribuiu para aproximar o movimento operário das questões de educação e cultura.
Leuenroth em duas fases
A primeira direção terminou em 1916, às vésperas da Greve Geral. A segunda, iniciada em 1933, ocorreu em outro cenário político, marcado pelo avanço do autoritarismo de Vargas. A charge de 1917 que retrata Leuenroth ao lado do jornal, assinada pelo caricaturista Falcão, resume a associação entre o homem e a publicação. Estudar A Lanterna é entender uma das faces menos conhecidas da imprensa brasileira da Primeira República: a de oposição ao poder religioso, feita por operários e tipógrafos.




