A Plebe nasceu em 9 de janeiro de 1917 como um semanário anarquista e anticlerical, fundado por Fábio Lopes dos Santos Luz e Edgard Leuenroth. Desde os primeiros números, o jornal se dedicou a acompanhar greves, manifestações e as condições de vida dos trabalhadores de São Paulo, tornando-se uma das publicações libertárias de maior penetração no meio operário.
O jornal da greve de 1917
Poucos meses depois de circular, A Plebe esteve no centro da Greve Geral que paralisou a cidade. Leuenroth usou suas colunas para apoiar o movimento e para defender o Comitê de Defesa Proletária, do qual foi porta-voz. O jornal se tornou referência para os grevistas e alvo preferencial da repressão. Em 1919, sua redação e gráfica foram depredadas por estudantes de direito, episódio que ilustra a hostilidade enfrentada pela imprensa operária da época.
Fases e interrupções
A trajetória do periódico foi longa e acidentada. Semanal no início, tornou-se diário em 1919, quando o movimento sindical vivia seu auge, e voltou a circular em formatos menores nas décadas seguintes. A publicação atravessou fases de perseguição política, mudanças de redação e a própria transformação do movimento anarquista brasileiro, que perdeu espaço para os comunistas e depois para a estrutura sindical do Estado Novo. A Plebe seguiu aparecendo, com interrupções, até 1951.
Por que ele importa
Para quem pesquisa a Primeira República, A Plebe é fonte de primeira ordem: ali estão registradas greves, assembleias, conflitos com a polícia e debates internos do movimento. O jornal também ajuda a entender a atuação de Leuenroth como jornalista e organizador. A charge antibélica Alegoria da Morte, publicada no periódico em 1935, mostra como o jornal continuou combativo mesmo depois do declínio do ciclo anarquista no Brasil.




