Contexto e proposta de A Literatura no Brasil
A Literatura no Brasil não é um ensaio solitário de Afrânio Coutinho. É a história coletiva que ele planejou e dirigiu, com especialistas diferentes em cada parte. O encargo veio em 1952, de Leonídio Ribeiro, diretor do Instituto Larragoiti, ligado à Companhia Sul América. A primeira publicação ocupou quatro volumes, entre 1955 e 1959. A edição de 1968 a 1971 passou a seis. Houve atualização em 1986.
Este tomo é a introdução geral da edição corrente na Global, com Eduardo Coutinho na coedição. Os outros tomos existem e são vendidos à parte. Não são outro livro: são partes da mesma obra. Tratá-los como projetos separados só repetiria a capa com outro número. Quem quiser o conjunto procura a série. Quem quiser entender o projeto começa por este tomo, que apresenta as questões de base.
No volume de abertura entram, entre outros, "A língua literária", de Wilton Cardoso; "O folclore, literatura oral e literatura popular", de Câmara Cascudo; "A escola e a literatura", de Fernando de Azevedo; "O escritor e o público", de Antonio Candido; "A literatura e o conhecimento da terra", de Wilson Martins; "Gênese da ideia de Brasil", de Sílvio Castro; e "Formação e desenvolvimento da língua nacional brasileira", de José Ariel de Castro. A lista já mostra o método: Coutinho não narra sozinho a história inteira. Reparte o terreno e assina a direção.
O leitor desse tomo não encontra romance nem aula de redação. Encontra ensaio de fundamentação: de que língua se fala, que lugar tem o folclore, como a escola forma público, como a ideia de Brasil entra na literatura. É material de consulta e de curso, denso, útil para quem estuda letras e excessivo para quem quer só a vida do organizador.
A diferença para a Introdução à Literatura no Brasil importa. A Introdução é Coutinho em um volume, com a voz dele do começo ao fim. A Literatura no Brasil é uma obra de equipe sob a direção dele, e este tomo é a porta dessa obra, não o resumo dos seis. A edição da Global mantém essa arquitetura, sem transformar o projeto de 1955 num livro novo de autor único.




