Contexto e proposta de Conceito de literatura brasileira
Conceito de literatura brasileira junta ensaios em torno de uma pergunta estreita: o que faz uma literatura ser brasileira. A primeira edição é de 1960. Esgotou. Em 1976 a Pallas reeditou, e essa tiragem também se esgotou em cerca de um ano. A edição em circulação pela Vozes é a 4ª.
São oito ensaios. O eixo comum, declarado na apresentação do volume, é o nacionalismo literário e o caráter nacional. Não há enredo, nem personagem, nem proposta de curso. Há tentativa de fixar o espaço da literatura feita no Brasil diante da matriz portuguesa e diante do hábito de tratar o país como tema, não como forma.
O livro conversa com a briga pública de Coutinho nos jornais, mas não é a coluna Correntes Cruzadas reunida. Também não é Introdução à Literatura no Brasil, que percorre períodos. Aqui o objeto é o conceito. Quem já aceita a lista de escolas e quer saber por que Coutinho achava insuficiente chamar de brasileira qualquer obra escrita no território encontra material. Quem procura história literária narrada, com século e estilo em sequência, sai com a sensação de que o livro anda de lado. É o desenho dele.
O leitor útil é o estudante que já passou da introdução e topa ensaio curto, repetido em variações, sobre a mesma inquietação. Oito textos em volta de um núcleo cansam quem quer variedade. Ajudam quem quer ver o argumento sem a moldura da coletânea de equipe. O tom é de fixação de ideia, não de aula inaugural.
A 4ª edição da Vozes reapresenta um texto de formação crítica, não um manual reescrito para o debate de agora. O valor está em ler o conceito como Coutinho o formulou em 1960, com a reedição como acesso ao livro, não como reescrita do pensamento. Para o panorama de períodos, a porta continua sendo a Introdução. Para a pergunta "o que é brasileiro nisso", este é o volume.




