A Mão Esquerda de Vênus é o segundo livro de poesia de Fernanda Young, publicado pela Globo Livros. O ponto de partida é uma descoberta doméstica: ao organizar uma biblioteca formada a partir da doação de livros da família Figueiredo, a autora encontrou um maço de cartas amarrado com fita de cetim.
As cartas eram de Laurinha, mãe da amiga Monica Figueiredo, e contavam uma história de amor vivida ao longo de décadas — um casal que, nas palavras da própria Fernanda, era ora proibido, ora assumido. A identificação com aquela correspondência foi o gatilho do livro.
Sobre o que é A Mão Esquerda de Vênus
Os poemas falam do amor em sua potência máxima: o poder de seduzir e de destruir a si e ao outro. Há versos cortantes e crus ao lado de outros doces e românticos, reunidos ao longo de cerca de dez anos de produção — o que faz do livro uma síntese da poesia de Fernanda Young, e não um volume de ocasião.
O conjunto também abre espaço para homenagens. Entre os poemas, há textos dedicados a amigas e amigos do círculo íntimo da autora, como Betty Lago, o que dá ao livro um tom de álbum afetivo sem perder a densidade.
Poesia dentro de uma obra de romances e roteiros
Fernanda Young publicou poesia desde Dores do Amor Romântico (2005), e esse lado da produção costuma ficar em segundo plano para quem a conhece pela televisão. A Mão Esquerda de Vênus mostra que a poesia sempre teve lugar central na obra dela: é onde a autora trabalha a linguagem com maior liberdade e onde o humor e a dor aparecem mais próximos.
Para leitores de poesia contemporânea brasileira, o livro é uma amostra de uma voz que não se filia a escolas nem a modas. Para quem chega pela ficção, funciona como um mapa dos temas que atravessam romances e contos — desejo, perda, inadequação e amor em estado bruto.
A história por trás das cartas
Laurinha escreveu cartas e diários desde a adolescência até pouco antes de morrer, aos 69 anos. O que Fernanda Young encontrou naquela caixa foi o registro de um casal que atravessou décadas entre encontros e afastamentos, acumulando objetos, músicas, poemas e lembranças. A autora descreve a descoberta como uma identificação arrebatadora — e transforma essa matéria íntima em poesia, sem expor o que não deveria ser exposto.
O episódio também mostra um traço constante da obra de Fernanda Young: a atenção ao que as pessoas guardam. Seja em cartas amarradas com fita de cetim ou em diários esquecidos, é sempre a intimidade alheia que dispara sua escrita.
Em relação a Dores do Amor Romântico, o primeiro livro de poemas da autora, este volume representa um passo adiante: menos desabafo, mais construção. Os poemas foram escolhidos e organizados como um conjunto, e a leitura seguida revela uma autora que pensava a poesia como projeto, não como acaso.
Para quem vale a leitura
- Leitores de poesia brasileira que buscam autores fora do circuito estritamente acadêmico.
- Fãs da obra de Fernanda Young que querem conhecer sua produção em versos.
- Quem gosta de livros de poemas que falam de amor sem idealização.





