Pós-F — Para Além do Masculino e do Feminino é a primeira obra de não ficção de Fernanda Young, publicada em 2018. No livro, ela entra no debate sobre o que significa ser homem e ser mulher hoje — e faz isso a partir da própria experiência, em textos autobiográficos.
Sobre o que é Pós-F
A autora se apresenta como uma das personagens femininas às quais deu voz: mulheres independentes para quem a inadequação é um sentimento constante. É desse deslocamento que nasce a capacidade de observar o feminino e o masculino em todas as suas possibilidades.
Daí vem o título. Pós-F significa, ao mesmo tempo, pós-feminismo e pós-Fernanda: um relato sobre uma vida livre de estigmas, apoiada no respeito ao outro e na sustentação do próprio desejo. O livro é ilustrado com desenhos da própria autora e propõe superar polarizações para construir algo maior, em que caibam todos os gêneros.
Autobiografia e ensaio no mesmo livro
Quem espera um tratado acadêmico encontra outra coisa: uma escrita de si que usa a vida como argumento. Fernanda Young parte de episódios pessoais para discutir papéis de gênero, relações amorosas, maternidade e liberdade — sem abandonar o tom provocador que a tornou conhecida na televisão e nas colunas de revista.
Essa mistura de memória e reflexão faz do livro uma porta de entrada para o pensamento da autora fora da ficção. É também um documento de época: publicado em 2018, Pós-F participa de um debate que ganhou força no Brasil naqueles anos e oferece a ele uma voz que não se encaixa em nenhum manual.
Os temas centrais do debate
O livro percorre perguntas que continuam atuais: o que sobra dos papéis de gênero quando eles deixam de ser obrigação; como amar sem apagar o próprio desejo; o que a maternidade exige e o que ela cobra; e por que a inadequação pode ser um ponto de partida, e não um defeito. Fernanda Young não oferece respostas fechadas — oferece o relato de quem viveu essas perguntas na prática.
Os desenhos da autora espalhados pelo volume funcionam como um segundo texto, mais intuitivo que discursivo, e reforçam o caráter pessoal do conjunto.
O que esperar da leitura
Não é um livro de tese. A força está na voz: direta, irônica e disposta a se contradizer em público. Quem lê Pós-F depois dos romances percebe que a autora sempre escreveu sobre os mesmos nós — afeto, liberdade e as regras invisíveis que organizam a vida de homens e mulheres.
Por que Pós-F continua sendo lido
O debate sobre gênero mudou muito desde 2018, mas a pergunta central do livro segue aberta: como viver sem se encaixar? Fernanda Young responde com a própria trajetória, sem transformar a experiência em manual. É essa recusa de doutrina que mantém o texto atual — e que faz dele uma leitura útil tanto para quem concorda quanto para quem discorda.
Para quem vale a leitura
- Leitores interessados em discussões sobre gênero, feminismo e masculinidades em linguagem acessível.
- Quem já acompanha a ficção de Fernanda Young e quer conhecê-la na não ficção.
- Pessoas que preferem ensaio com marca pessoal a texto teórico distante da vida real.
Publicado pela LeYa, o livro conversa diretamente com os romances e contos da autora e ajuda a entender por que sua obra é lembrada tanto pela literatura quanto pela forma como ela ocupou o espaço público.





