Posso Pedir Perdão, Só Não Posso Deixar de Pecar é o primeiro livro que Fernanda Young escreveu — aos dezessete anos — e também o último a que se dedicou. Publicado postumamente, em 2019, o romance chegou às livrarias mais de três décadas depois de ter sido escrito, com os originais revistos pela própria autora para a edição.
Sobre o que é o romance
O livro é um romance de formação escrito no auge do despertar criativo da adolescência. A narrativa exibe os sinais da artista que estava por vir: uma voz libertária, criadora e desconcertante, que trata de desejo, culpa e liberdade sem pedir permissão ao leitor.
Quem conhece a obra madura de Fernanda Young reconhece ali o embrião de tudo: a franqueza sobre o corpo, a recusa de moralismos e a construção de personagens femininas que não se explicam nem se desculpam.
Por que o livro importa na obra da autora
A publicação fecha um ciclo curioso. Durante décadas, o manuscrito ficou guardado enquanto Fernanda publicava romances, contos, crônicas e poesia, escrevia séries de televisão e se tornava uma das figuras mais reconhecíveis da cultura brasileira. Quando voltou aos originais, já doente, ela revisou o texto que inaugurou sua trajetória literária.
O resultado é ao mesmo tempo um documento de juventude e uma obra de maturidade: a voz de uma escritora de dezessete anos organizada pelas escolhas de uma autora experiente. Para quem estuda a formação de escritores no Brasil, é um caso raro e documentado.
Um manuscrito de adolescência
O texto foi escrito quando Fernanda Young ainda não tinha nem o ensino médio concluído — ela terminaria os estudos depois, em um supletivo. É a produção de uma leitora voraz que decidiu escrever antes de saber se seria publicada, e que manteve o manuscrito por décadas, entre mudanças de cidade, casamento e uma carreira inteira na televisão.
Para quem acompanha a literatura brasileira, o caso é revelador por outro motivo: mostra que a voz de Fernanda Young não foi construída na televisão nem na maturidade. Ela já estava inteira nos cadernos de uma adolescente que escrevia sobre culpa, desejo e liberdade muito antes de qualquer plateia.
Quando voltou a ele para preparar a edição, já vivia os últimos meses de vida. O livro, portanto, é ao mesmo tempo ponto de partida e despedida: uma autora revisando a adolescente que a inventou.
Para quem vale a leitura
- Leitores de romances de formação e de literatura brasileira contemporânea.
- Quem acompanha a obra de Fernanda Young e quer conhecer seu primeiro texto.
- Pessoas interessadas em manuscritos de juventude publicados tardiamente.
Publicado pela LeYa, o romance dialoga com Estragos — os contos escritos na mesma época — e completa o retrato de uma autora que começou a escrever antes dos dezoito e nunca mais parou.





