Vergonha dos Pés é o romance com que Fernanda Young estreou na literatura, em 1996, e também o primeiro sinal de uma voz que não pedia licença para entrar: a história de uma jovem que quer ser escritora e não consegue transformar em livro aquilo que imagina.
A protagonista é Ana, estudante de Letras que abandona a faculdade para se dedicar ao primeiro livro. As histórias, porém, não chegam ao papel. Enquanto a escrita não acontece, o leitor acompanha seus pensamentos — líricos e imprevisíveis —, as sessões de fisioterapia que ela frequenta, o ócio e a vida na cidade.
Sobre o que é Vergonha dos Pés
Dentro da cabeça de Ana desenrola-se o romance que ela gostaria de escrever: a história de Lívia, casada com Jonas, um arquiteto famoso, e melhor amiga de Mirna. Na vida real, há dois amores: o namorado Jaime e a amiga Elisa, que mora em outra cidade. Quando o namoro com Jaime entra em crise, Ana deixa o apartamento onde viviam e volta a morar sozinha — e a narrativa passa a girar em torno dessa experiência de recomeço, feita de silêncio, leitura e observação.
O título vem justamente daí: a vergonha dos pés é a dificuldade de se expor, de se deixar ver, de sair do lugar. Young escreve sobre bloqueio criativo sem autocomiseração, com humor seco e uma atenção precisa ao cotidiano.
Por que o romance marcou a estreia
O livro teve mais de quinze edições e foi adaptado para o teatro — sinal de que a história de Ana encontrou leitores muito além do circuito literário da época. Também ajudou a fixar a persona que acompanharia Fernanda Young dali em diante: uma autora que fala de dentro das contradições femininas, sem moralismo e sem final consolador.
Para quem conhece a autora pela televisão, o romance é uma boa porta de entrada para a literatura: tem a mesma escuta do detalhe, o mesmo gosto pela frase curta e pela observação do que as pessoas escondem quando dizem que está tudo bem.
A adaptação para o teatro
O romance saiu do papel e chegou aos palcos, ampliando o alcance de uma história que já era, em essência, sobre a dificuldade de se expor. A transposição para o teatro faz sentido: o livro é feito de voz, pensamento e pouca ação externa, e foi justamente essa intimidade que sustentou a adaptação.
Para quem lê hoje, a peça acrescenta uma camada ao livro: mostra como a personagem de Ana atravessou décadas e públicos diferentes sem perder o incômodo que a define.
Para quem vale a leitura
- Leitores de ficção brasileira dos anos 1990, quando a literatura de autoria feminina ganhava novo espaço no mercado.
- Quem se interessa por romances sobre escrita, bloqueio criativo e vida na cidade.
- Fãs de Os Normais que querem conhecer a Fernanda Young anterior ao sucesso na TV.
A edição disponível atualmente na Amazon é publicada pela Rocco, que mantém o romance em circulação para novas gerações de leitores. Vale conferir o formato escolhido antes de comprar e considerar a leitura em sequência com Estragos, que reúne os contos escritos antes deste romance.





