Contexto e proposta de A superindústria do imaginário
A superindústria do imaginário parte de uma mutação do capitalismo: desde a segunda metade do século XX, o corpo da mercadoria perdeu lugar para a imagem da mercadoria. O consumo passou a ser interpelado pelo desejo, não mais pela necessidade, e o valor de uso cedeu espaço ao que Eugênio Bucci chama de valor de gozo.
É nesse deslocamento que nasce a superindústria do imaginário: o arranjo em que os conglomerados globais de comunicação, exploração do olhar e extração de dados pessoais se tornaram o centro do capitalismo. As mídias digitais aparecem no livro como combustível e extensão desse processo, e as big techs como seu rosto mais visível.
O livro persegue a mudança no curso da comunicação — a capacidade de fabricar valor em escala superindustrial — com um repertório que atravessa sociologia jurídica, linguística, física, filosofia, psicanálise e economia política. Não é um manual sobre redes sociais: é uma investigação sobre como o olhar virou trabalho e sobre quem lucra com isso.
Publicado pela Autêntica em 2021, A superindústria do imaginário: como o capital transformou o olhar em trabalho e se apropriou de tudo que é visível foi finalista do Prêmio Jabuti de 2022. O reconhecimento consolidou a fase mais recente da obra de Bucci, dedicada à economia política da imagem e dos dados.
Para leitores que querem entender por que a atenção se tornou o recurso mais disputado da economia digital, o ensaio oferece uma moldura teórica ampla e um percurso interdisciplinar. Interessa a estudantes de comunicação, pesquisadores, profissionais de marketing e a qualquer pessoa que use — e seja usada por — plataformas digitais todos os dias.





