Contexto e proposta de Sobre ética e imprensa
Publicado em 2001, Sobre ética e imprensa parte de uma constatação incômoda: o monopólio dos meios de comunicação, a pressa do noticiário e a briga diária pela audiência empurram jornalistas e empresas para longe da conduta ética. O resultado, argumenta Eugênio Bucci, é informação de má qualidade chegando ao público.
O diferencial do livro está no endereço. Em vez de tratar a ética como assunto interno das redações, Bucci escreve para o leitor comum — o maior interessado numa imprensa de credibilidade. A ética, aqui, aparece como instrumento de proteção do público contra o mau jornalismo, e não como código decorativo de profissão.
Publicado em 2001 pela Companhia das Letras, o livro percorre casos de atentados à ética na imprensa brasileira e internacional e discute o que acontece quando a lógica do espetáculo e do entretenimento contamina os veículos jornalísticos. O cenário das megafusões de empresas de comunicação, que concentram poder de mídia como nunca, é tratado como parte do problema, não como pano de fundo.
Para quem estuda jornalismo, o título discute conduta profissional, interesse público e os limites entre informação e negócio. Para quem apenas consome notícia, funciona como um manual de defesa — explica o que se pode exigir de um jornal e por que a credibilidade é o ativo mais frágil da imprensa.
O tema nunca saiu da agenda de Bucci. As perguntas abertas em 2001 reaparecem, anos depois, nos livros sobre comunicação pública, superindústria do imaginário e desinformação, o que faz desta obra a porta de entrada mais direta para o pensamento do autor.





