Contexto e proposta de Existe democracia sem verdade factual?
Existe democracia sem verdade factual? parte de uma constatação: a mentira é tão antiga quanto a linguagem. Ainda assim, argumenta Eugênio Bucci, as fake news representam um tipo mutante de tapeação — notícias fraudulentas que simulam ser um relato elaborado em redações profissionais ou uma opinião fundamentada, enganam maliciosamente e são forjadas em escala industrial. O efeito, escreve o autor, é a corrosão dos alicerces racionais da cultura democrática.
Para enfrentar a pergunta que dá título ao livro, Bucci dialoga com Hannah Arendt e com o texto "Verdade e Política", lançado pela filósofa nos anos 1970. De lá, recupera a distinção entre verdade de fato e opinião — e mostra por que a política precisa de um chão factual comum para que o debate público faça sentido.
O livro também aponta os alvos preferenciais da desinformação. A imprensa e as bibliotecas públicas, instituições incumbidas historicamente de mediar o debate público e a circulação de ideias, aparecem sob ameaça: são atacadas justamente porque cumprem a função de separar o verificável do inventado.
Publicado em 2019 pela Estação das Letras e Cores, o volume integra a coleção Interrogações, coordenada pela professora Lucia Santaella. O formato curto e direto faz do livro uma introdução acessível ao problema da pós-verdade — sem simplificar o diagnóstico nem prometer soluções fáceis.
Quem lê Existe democracia sem verdade factual? encontra a ponte entre os livros de Bucci sobre ética jornalística e suas obras mais recentes sobre o mundo digital. Interessa a professores, estudantes, jornalistas e a todos que se preocupam com o impacto da desinformação sobre as eleições, as instituições e a vida em comum.





