Amorhumorumor reúne haikais e senryus e nasceu de um desafio entre dois poetas: depois de escreverem textos longos, Alice Ruiz S e Rodolfo Witzig Guttilla se propuseram a concentrar tudo em três linhas. O livro reúne haikais e senryus escritos a quatro mãos, em diálogo que alterna humor, observação e crítica leve do cotidiano.
Haikai e senryu: o que muda
As duas formas japonesas têm a mesma medida — três versos —, mas olham para lugares diferentes. O haikai se concentra na natureza e no instante, e costuma carregar uma palavra que indica a estação. O senryu, surgido séculos depois como desdobramento bem-humorado do haikai, se volta para o comportamento humano: amores, mesquinharias, tipos, situações do dia a dia. Ao trabalhar as duas, os autores atualizam regras clássicas e as subvertem sem descaracterizá-las.
Um livro em diálogo
A estrutura da obra deixa visível a conversa entre os poetas: um poema responde ao outro, uma imagem desloca a anterior, um verso brinca com o que veio antes. O resultado é um livro ágil, que pode ser lido em uma sentada ou aberto ao acaso, e que funciona bem para quem quer entender como o humor entra na poesia breve sem virar piada.
A edição integra uma coleção de poesia de bolso e está disponível em formato digital, o que ajuda na leitura fragmentada que o gênero pede. O título junta três palavras — amor, humor, rumor — e dá a medida do que o leitor encontra: afeto tratado com graça, sem pieguice.
O que o leitor aprende
Mais do que uma coletânea, o livro funciona como demonstração prática da diferença entre as duas formas: o leitor vê o haikai observando a natureza e o senryu observando gente, muitas vezes na mesma página, em tom de conversa. Para quem participa de oficinas de escrita, é material de estudo; para quem apenas quer rir e reconhecer o cotidiano, é leitura de mesa de cabeceira.
Para quem é
O livro interessa a leitores de poesia japonesa, a quem já acompanha a produção de haicai no Brasil e a quem busca uma porta de entrada mais leve para a obra de Alice Ruiz S. Combina com a trilha de literatura e com a prática de escrita em oficinas, em que o senryu costuma ser o exercício preferido de quem está começando.





