Dezoito contos, 168 páginas, lançamento de 5 de maio de 2026. Armadilhas é o Ruffato de agora: o mesmo território das vidas comuns, agora em dose de conto. A Companhia das Letras apresenta o volume como volta ao espaço em que a literatura dele sempre funcionou — desvios mínimos que reconfiguram destinos, gente que raramente chega à ficção senão como estatística.
Um homem revive o instante em que sabe que não verá mais a mulher que ama. Um pai se vê precário diante das perguntas do filho. Um jovem operário abandona tudo de repente. Uma família se desmancha no envelhecimento. Os nomes que a editora destaca — Geraldinho, o Vermelho; Irene e o sargento Cici; tio Joel; Sausalito, o cão — servem de âncora: não são tipos, são gente de rua, bar, fábrica, velório.
O que muda (e o que não muda) em relação aos romances
Quem leu Eles eram muitos cavalos reconhece o mosaico de vozes. Quem leu Inferno provisório reconhece o chão mineiro e o trabalho. A diferença é a unidade: cada conto fecha um golpe, um desvio, uma queda. A geografia se abre — interior de Minas, mas também Zurique e Macau — sem abandonar o concreto: ônibus, beco, comércio, casa, sonho interrompido.
José Falero, na orelha pública da editora, disse ter se esquecido do que são capazes os contos bem escritos. Julia Codo falou em simplicidade e elegância, particular e universal. Não é preciso comprar o entusiasmo: o livro entrega o ofício de quem passa décadas no mesmo tema sem repetir o mesmo romance. A capa, de Máquina Estúdio e Kiko Farkas, mostra fios cruzados num poste — a imagem que a crítica do O Globo leu como olhar de pedestre para cima, para as amarras da rua.
Para quem este livro serve
- Quem quer entrar em Ruffato por textos curtos, não pelo volume único de 408 páginas.
- Quem lê conto contemporâneo brasileiro e busca chão social sem folhetim.
- Quem já conhece o autor e quer o lançamento de 2026, não a reedição dos clássicos.
- Quem prefere uma história por noite a um ciclo de décadas.
Edição e compra
Edição da Companhia das Letras, ISBN 978-85-359-4360-3, brochura 14 × 21 cm. Há e-book (ISBN 978-85-359-4648-2) na Amazon, Apple, Google Play, Kobo e Skeelo. A capa comum circula na Amazon Brasil com o item exato do lançamento. Preços de livraria oscilam; o que permanece é o texto de dezoito contos.
Não é reedição de A cidade dorme (contos de 2018) nem fragmento de Eles eram muitos cavalos. É livro novo. Quem quiser o retrato de um único dia em São Paulo volta ao romance de 2001. Quem quiser o arco do operariado brasileiro vai a Inferno provisório. Armadilhas é o desvio curto: a vida comum no instante em que a armadilha fecha.
Dá para ler um conto por vez, no ônibus ou na cama, sem perder o fio de uma saga. A unidade é o olhar, não o enredo. Quem entrar por aqui e gostar do corte curto tem caminho aberto para os romances; quem já leu os romances encontra o mesmo chão em outra medida — menos década, mais instante.




