Contexto e proposta de Básico Instinto
Básico Instinto é o livro em que Fausto Fawcett organiza, em forma de contos, o vocabulário que atravessa toda a sua obra: a noite, o desejo, o misticismo e a violência como forças primitivas que nenhuma civilização conseguiu domar.
Publicado originalmente em 1992, o volume reúne seis histórias em torno de três eixos declarados pelo autor, Louraças, Copacabana e Gnósticos, e é fechado por um ensaio sobre o básico instinto das personagens: as fúrias primitivas cravadas no chassi neurológico humano, as iras e vitalidades hedonistas que atravessaram a Antiguidade greco-romana e se camuflaram nas máquinas de engenharia social da modernidade, do nazismo ao industrialismo de consumo.
Entre os contos estão Vanuza e Rachid, que desloca a atmosfera do livro para a Amazônia, e Vladimir e Chacininha, narrativa de crime e paixão com estética de tabloide sensacionalista. O autor trata o mundo cão como matéria literária: a vida como show macabro, em que paixões, brutalidades e invejas deixam todos a um fio do descontrole.
Em 2014, a reedição da Encrenca ampliou o volume com dois contos escritos na década anterior, O pacificador, de 2002, e Visita Veneno, de 2004, reunidos no módulo Lobos Solitários. As duas histórias acompanham homens à deriva: um recrutador de legiões estrangeiras e um entregador de pizzas alucinógenas, ambos mergulhados em misantropia e solidão.
O livro tem ainda um papel singular na discografia do autor: foi dele que nasceu o álbum Básico Instinto, de 1993, gravado com a banda Falange Moulin Rouge e construído a partir dos personagens e do clima dos contos. O disco aprofundou a mistura de rap declamado, rock e teatro que Fawcett vinha desenvolvendo desde a estreia e transformou as louraças do livro em ícones de palco, em um espetáculo que misturava teatro de revista, música e performance.
Para quem é Básico Instinto
É um livro para quem gosta de conto urbano sem concessões, com narração rápida, personagens à margem e humor ácido. Também interessa a leitores que acompanham a literatura brasileira experimental dos anos 1990 e a produção de autores que trabalham a cidade como personagem.
Quem chega pela música encontra aqui a matriz das letras que Fawcett levaria para os shows e para as parcerias com outros artistas. Quem chega pela literatura descobre um contista que trata o Brasil profundo e o submundo carioca com o mesmo olhar de estranhamento, sempre em busca do instinto básico que move as pessoas.





