Contexto e proposta de Pororoca Rave
Uma novela de estrada às avessas: em Pororoca Rave, um jovem casal de DJs deixa o apartamento no Sudeste e se embrenha na floresta amazônica com um objetivo improvável, captar o som do Big Bang.
O plano é encontrar, na densidade da mata, os ruídos da radiação de fundo que a explosão inaugural ainda ecoa. O que poderia ser apenas uma expedição científica vira também uma festa promissora, marcada pelo encontro entre rio e oceano, a pororoca. E há uma terceira camada: talvez a viagem seja uma fuga da polícia, depois que o casal hackeou arquivos secretos para usar em mixagens dançantes e instalações de bienal.
Publicada pela Tinta Negra em 2015, a novela leva para a Amazônia a mesma curiosidade de Fawcett pelas cidades de fronteira, onde as jurisdições flutuam e todos os intercâmbios se misturam. O autor já declarou que a floresta funciona, em sua imaginação, como a versão de mata pesada da selva urbana: um território de xamanismos, aventureiros e negociações clandestinas, onde ninguém tem endereço fixo e todo mundo tem uma história a esconder.
Com 96 páginas, é um dos títulos mais enxutos da bibliografia do autor e funciona como uma síntese de seus temas: música eletrônica, tecnologia, desejo, misticismo e a busca por um som impossível. A estrutura acompanha o ritmo de uma rave, com cenas que se sucedem como faixas de um set, entre pausas e viradas.
O livro saiu em um momento de retomada literária do autor: no ano anterior, a editora Encrenca havia relançado Santa Clara Poltergeist e Básico Instinto, e Fawcett voltava a publicar com regularidade depois de anos dedicados a shows, roteiros e performances.
Para quem é Pororoca Rave
Para quem conhece Fawcett pela música, o livro é uma extensão natural de suas letras: ritmo acelerado, personagens em trânsito e a tecnologia como parte da paisagem, aqui na forma de arquivos hackeados e sets de DJ. Para quem acompanha a ficção brasileira, é uma amostra de como o autor trabalha o fantástico sem abandonar o presente, transformando a Amazônia em cenário de ficção científica sem clichês de selva exótica.
É também uma leitura indicada para quem gosta de narrativas curtas e intensas, com atmosfera de festa e perigo, e para pesquisadores de cultura digital interessados em como a música eletrônica brasileira aparece na literatura.





